Lula ironiza reclamantes e diz que “os clubes que se virem” sobre fim das bets

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornou ao debate público nesta segunda-feira, 28/9, criticando veementemente aqueles que lamentam o fim das apostas on-line, as bets. A declaração foi proferida durante a sanção da lei que estabelece diretrizes para o desenvolvimento do futebol feminino no país, e ressalta uma tese clássica: nos "melhores momentos da história do futebol brasileiro", não existiam essas plataformas de jogo.

O petista assegurou que a retirada das bets "não traz nenhum prejuízo para o futebol", justificando que as plataformas representavam menos de 7% da arrecadação dos clubes. Lula ainda utilizou o fim das apostas como resposta ao endividamento popular, alegando que o mercado estava promovendo uma "doença chamada ludopatia". Para o presidente, a proibição se justifica pelo fato de a bets ter levado o povo brasileiro a se endividar em níveis jamais vistos na história do país.

Apesar da retórica intervencionista típica da esquerda, Lula concluiu sua defesa com um argumento eminentemente liberal: "os clubes que se virem". Essa frase joga a responsabilidade financeira diretamente sobre os gestores e modelos de negócio dos times, ecoando a filosofia de mercado defendida por aliados como Ronaldo Caiado. O chefe do Executivo ainda reforçou o caminho da governança privada ao pontuar que já foi aprovada a lei que permite aos clubes virarem empresa, exigindo apenas "gente de competência para fazer a empresa".

Atualmente em vigor por meio de medida provisória (MP) assinada na última sexta-feira, 25/9, as plataformas de apostas on-line estão proibidas de operar. No entanto, o governo Lula ainda depende do aval do Congresso Nacional para consolidar essa decisão. As duas casas legislativas dispõem de um prazo de até 120 dias para aprovar a medida e garantir que a determinação permaneça válida após o fim do resgate de saldo previsto para as 23h59 do dia 5 de outubro.