Uma agenda para desenvolver o RN - Artigo de Marcelo Queiroz

* Marcelo Queiroz

O futuro de um estado não nasce pronto. Ele é construído quando diferentes vozes aceitam sentar-se à mesma mesa, reconhecer os problemas e transformar expectativas em caminhos possíveis. Foi com esse espírito que a Fecomércio RN recebeu, entre os dias 17 e 19 de agosto, os candidatos ao Governo do Estado e entregou a cada um o RN em Foco 2027–2030.

Mais do que um documento, levamos uma contribuição do setor produtivo ao debate público. O trabalho combina diagnóstico técnico, escuta empresarial e visão estratégica de longo prazo. Ouvimos mais de 1.600 empresários, alcançando todas as mesorregiões. São pessoas que abrem as portas de seus negócios todos os dias, geram trabalho, recolhem impostos e conhecem, pela experiência, os obstáculos e as oportunidades da economia potiguar.

É esse grupo que reconhece: o Rio Grande do Norte vive um momento decisivo. Temos vocações reconhecidas no Turismo, nas energias renováveis, no comércio, nos serviços, na mineração e na produção de alimentos. Ao mesmo tempo, convivemos com limitações fiscais, infraestrutura insuficiente, burocracia, insegurança e dificuldades para converter crescimento em desenvolvimento duradouro. Potencial, sozinho, é apenas uma promessa. Para produzir resultados, precisa encontrar planejamento, segurança jurídica, investimento e capacidade de execução.

Por isso, a agenda apresentada trata de equilíbrio fiscal e melhoria da gestão pública; desburocratização e ambiente de negócios; parcerias com o setor privado; infraestrutura, logística e segurança; qualificação profissional; revitalização dos territórios comerciais; e melhor aproveitamento dos vetores econômicos do estado. No Turismo, defendemos uma política estratégica e permanente, com promoção do destino, conectividade aérea, infraestrutura, interiorização, qualificação e governança integrada.

Essa escuta encontrou respaldo nos números. Comércio, Serviços e Turismo respondem por 60% do PIB privado e por R$ 13 bilhões de massa salarial anual. São mais de 49,2 mil estabelecimentos comerciais e de serviços, além de cerca de 160 mil microempreendedores individuais, e quase 389 mil empregos formais. É uma presença que traz força, mas também responsabilidade. Quem participa tão intensamente da vida econômica não pode se limitar a apontar problemas; precisa ajudar a construir soluções.

É importante lembrar que os encontros respeitaram uma premissa simples: o RN em Foco não pertence a uma candidatura. É uma agenda aberta a todas elas e, sobretudo, à sociedade. O diálogo institucional não elimina diferenças nem exige concordância automática. Ele cria um terreno comum no qual dados, prioridades e propostas podem ser examinados com seriedade.

Encerrada esta etapa, o trabalho continua. O Sistema Fecomércio RN, Sesc e Senac, coloca sua estrutura, sua capacidade técnica e sua presença no estado à disposição para aprofundar propostas e acompanhar resultados. Eleições marcam escolhas, mas o desenvolvimento exige constância.

*Presidente da Fecomércio-RN