Medicamento que promete menos dependência no tratamento contra a insônia chega ao Brasil
Um novo medicamento para o tratamento da insônia deve chegar às farmácias brasileiras neste ano. O Dayvigo, nome comercial do lemborexante, será comercializado no País por meio de uma parceria entre as farmacêuticas Eurofarma e Eisai, com preço médio previsto de aproximadamente R$ 200. A produção do medicamento será realizada no Reino Unido pela Eisai. No Brasil, a Eurofarma ficará responsável pela estratégia comercial, incluindo a comercialização, promoção e distribuição do produto.
O Dayvigo é indicado para adultos que têm dificuldade para iniciar ou manter o sono e pertence a uma classe diferente de hipnóticos já conhecidos, como o zolpidem. O lemborexante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 e já tem autorização para uso em mais de 28 países, incluindo Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália. A Eisai, que desenvolveu a molécula, também continuará responsável pelo registro do medicamento e pela definição da estratégia global da marca.
COMO AGE?
O lemborexante é o primeiro medicamento da classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina (DORA) aprovado no Brasil. Diferentemente de outros remédios para insônia, age reduzindo os sinais que ajudam o cérebro a permanecer acordado. Isso acontece porque o medicamento bloqueia a ação da orexina, uma substância produzida pelo cérebro que participa da manutenção do estado de alerta. Com esse sinal reduzido, a transição da vigília para o sono é facilitada.
Estudos clínicos citados pela Eisai indicam que o medicamento pode reduzir o tempo necessário para adormecer e ajudar a pessoa a dormir por mais tempo. Segundo a empresa, os efeitos foram mantidos ao longo de 12 meses de tratamento, sem evidências de insônia rebote ou sintomas de abstinência após a interrupção.
Uma das principais diferenças entre o lemborexante e o zolpidem está no efeito no cérebro. Enquanto o lemborexante bloqueia a ação da orexina, substância que ajuda a manter o estado de alerta, o zolpidem atua no sistema GABA, que reduz a atividade cerebral e favorece o sono.
Em entrevista anteriormente ao Pulsa, Lúcio Huebra, neurologista e integrante da diretoria da Academia Brasileira do Sono, explicou que essa diferença pode reduzir alguns riscos associados ao tratamento. “Exatamente por terem seu mecanismo de ação não relacionado com o neurotransmissor GABA, inibitório, as drogas da classe DORA têm um menor potencial de dependência, tolerância e abstinência”, afirmou.
O que é diferente 1º de uma nova classe, age reduzindo os sinais que ajudam o cérebro a permanecer acordado.
ALGUNS CUIDADOS.
Apesar disso, o lemborexante pode causar efeitos adversos. Pedro Genta, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), explicou também, em entrevista anterior ao Pulsa, que podem ocorrer efeitos relacionados ao sono REM, fase em que os sonhos são mais frequentes. “Pode haver sonhos vívidos e paralisia do sono”, afirmou.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

