Presidente do STF, Edson Fachin, admite crise e aponta perda de confiança no Judiciário
O presidente do STF admitiu a crise numa semana em que três ministros foram indiciados pela CPI, Gilmar foi à PGR contra o senador que o indiciou e Moraes abriu inquérito contra Flávio Bolsonaro.
O ministro Edson Fachin fez um discurso incomum nesta sexta (17/4) num evento em São Paulo — reconhecendo abertamente que o Judiciário brasileiro enfrenta uma crise real que precisa ser enfrentada com urgência. "Estamos imersos numa crise que precisa ser enfrentada com olhos de ver e ouvidos de ouvir — sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas que significam simplesmente relegar os problemas sem resolvê-los", disse.
Fachin foi ainda mais direto sobre o núcleo da crise de confiança: "Sempre que o juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública." E defendeu autocontenção: "Toda expansão do poder, ainda que bem intencionada, precisa ser acompanhada de reflexão crítica sobre os limites da própria atuação." O discurso chega numa semana histórica para o STF: CPI pediu indiciamento de Moraes, Toffoli e Gilmar — relatório rejeitado após troca de senadores com "digital do Planalto." Gilmar foi à PGR pedir investigação contra o senador que o indiciou. Moraes abriu inquérito contra Flávio um dia após ser indiciado. E 75% dos brasileiros disseram no Datafolha que os ministros têm poder demais. Fachin admitiu a crise. O Brasil está esperando ver quem vai enfrentá-la — e como.
📰 Fonte: Gazeta do Povo

