Combustíveis acumulam quatro semanas de alta

Foto: José Aldenir/Agora RN

O ciclo de reajustes consecutivos na Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré (RN), tem intensificado a pressão sobre os preços dos combustíveis no varejo de Natal. Na atualização mais recente, em vigor desde quinta-feira 19, a gasolina foi elevada em R$ 0,63 e o diesel em R$ 0,45, consolidando quatro semanas seguidas de aumentos. Até o encerramento do dia, no entanto, os novos valores ainda não haviam sido integralmente incorporados às bombas.

A transmissão desses reajustes ao consumidor final ocorre de forma indireta e depende da atuação das distribuidoras, responsáveis pelo abastecimento dos postos. Segundo o presidente do Sindipostos-RN, Maxsuel Flor, o impacto tende a se materializar à medida que os estoques são renovados. “Não há compra direta da refinaria. O repasse passa pelas distribuidoras e, considerando a magnitude do aumento, é difícil que ele não chegue ao consumidor. O ritmo vai depender do volume ainda disponível nos estoques”, afirmou.

Na prática, a recomposição de preços ao longo da cadeia ocorre de maneira escalonada. Distribuidoras podem absorver parcialmente os aumentos em um primeiro momento, repassando-os gradualmente conforme novas aquisições são realizadas. O mesmo comportamento se repete nos postos, que ajustam os valores à medida que substituem seus estoques. “Cada agente define o momento do repasse, o que explica a defasagem entre o reajuste na refinaria e o preço final”, disse Flor.

Desde o fim de fevereiro, os reajustes semanais têm sido exclusivamente de alta. No período de um mês, a gasolina A passou de R$ 2,51 para R$ 3,82, avanço de R$ 1,31. Apenas na última semana, o preço saiu de R$ 3,19 para o patamar atual, refletindo aumento de R$ 0,63.

O diesel seguiu trajetória semelhante, com elevações expressivas nas duas principais modalidades comercializadas. No tipo EXA, o valor subiu de R$ 3,28 para R$ 5,52 em um mês, incremento de R$ 2,24, sendo R$ 0,45 registrados apenas na última semana. Já o diesel LCT passou de R$ 3,30 para R$ 5,53 no mesmo intervalo, acumulando alta de R$ 2,22, também com avanço semanal de R$ 0,45.

O preço final ao consumidor resulta da combinação entre os valores definidos na refinaria e variáveis como custos logísticos, margens de distribuição e revenda, além da carga tributária. A tendência, segundo agentes do setor, é de que os aumentos recentes sejam progressivamente refletidos nos postos nas próximas semanas.

AGORA RN