Muito além da festa: o impacto econômico do Carnaval no RN - Artigo de Marcelo Queiroz

 

Marcelo Queiroz - Presidente da Fecomércio/RN

Assim como na folia de Momo, em que cada ala tem seu papel para fazer o desfile acontecer, o Carnaval do Rio Grande do Norte mostra, mais uma vez, que a engrenagem da nossa economia só funciona bem quando todos os setores entram no ritmo. Passadas as festas de verão, a expectativa, ao longo destes dias, é de uma explosão de cores, alegria e, sobretudo, oportunidades.

Levantamento do Instituto Fecomércio RN aponta que as festas carnavalescas devem movimentar R$ 455,6 milhões no Rio Grande do Norte. É um número expressivo, que revela não apenas o desejo do potiguar de celebrar, mas também a confiança do consumidor e a força do comércio e dos serviços nesse período. Em Natal, quase 60% dos entrevistados afirmam que pretendem consumir para o Carnaval, percentual superior ao dos últimos anos. Em Mossoró, o comportamento segue a mesma tendência de crescimento.

Esse movimento alcança uma ampla cadeia produtiva. Alimentos, bebidas, vestuário, transporte, combustíveis, acessórios e hospedagem estão entre os principais destinos dos gastos, com ticket médio em torno de R$ 400. O detalhe que chama atenção é a forma de pagamento, cada vez mais diversificada, refletindo a modernização do consumo e a adaptação do comércio às novas preferências do cliente.

No turismo, os indicadores são ainda mais animadores. O litoral potiguar desponta como principal destino dos foliões, porém a festa se espalha por todas as regiões potiguares, impulsionando bares, restaurantes, mercados, postos de combustíveis e serviços turísticos. De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN, a ocupação hoteleira deve alcançar 85% durante o período, reforçando o peso do Carnaval como indutor da atividade turística.

Diante desse cenário, é fundamental defender e estimular a realização de eventos de grande porte, contando inclusive com a participação mais efetiva de parcerias público-privadas. Eles ampliam o tempo de permanência do visitante, espalham renda pelas cidades e fortalecem a imagem do estado como destino competitivo. Investir em grandes festas, com planejamento e segurança, é apostar em desenvolvimento, geração de empregos e arrecadação.

O Carnaval é mais do que festa. É trabalho, renda e oportunidade. Quando a economia entra no ritmo, todos ganham, do pequeno comerciante ao grande empreendedor, do interior ao litoral.