Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo

A revista Veja publicou uma matéria contendo áudio atribuído a Daniel Vorcaro no qual o ex-banqueiro afirma ter destinado R$ 30 milhões em espécie a um documentário sobre Lula, dirigido por Oliver Stone. O pagamento envolveria João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e Paulo Okamotto, do Instituto Lula, em negociações para acessar fundos de pensão federais.

Hoje, a CNN informou que, de acordo com a PGR, o áudio não foi entregue à equipe responsável pela delação, negando oficialmente a existência de depoimento oral de Vorcaro. Pouco tempo depois, a PF também afirmou não ter recebido da defesa depoimento, anexos ou documentos contendo o áudio.

Essas negativas não equivalem a uma conclusão de que o áudio é falso ou de que os pagamentos não ocorreram. PF e PGR contestaram o recebimento formal do relato específico, enquanto a veracidade das acusações permanece sem comprovação.

Também no início da manhã, fontes próximas a Vorcaro confirmaram à CNN que a voz na gravação é dele, mas disseram desconhecer sua origem e suspeitar de uma gravação clandestina. A defesa não reconhece a autenticidade nem a integridade do material.

A coluna de Mônica Bergamo, na Folha, também relatou suspeitas de que a gravação tenha sido feita clandestinamente durante a prisão de Vorcaro. A hipótese ainda não foi confirmada. A origem do áudio, sua eventual relação com documentos apresentados às autoridades e a existência dos pagamentos seguem sem esclarecimento conclusivo.

As primeiras contestações vieram antes da publicação. Ontem, a Folha noticiou que o grupo jurídico Prerrogativas, próximo a Lula, acionaria a PF para investigar uma suposta articulação destinada a produzir acusações eleitorais contra o presidente, em troca de benefícios judiciais a Vorcaro e seu pai. A hipótese não foi comprovada.