A velocidade do conhecimento e o desafio de acompanhar as transformações - Artigo de Marcelo Queiroz
Marcelo Queiroz- Presidente do Sistema Fecomércio RN
Vivemos um período de transformações profundas. A inteligência artificial, a digitalização dos negócios e as mudanças no comportamento dos consumidores estão redesenhando a forma como trabalhamos, produzimos e nos relacionamos. Nesse cenário, não basta reconhecer que o mundo mudou. É preciso adquirir conhecimento com velocidade e transformar informação em resultados.
Essa foi uma das reflexões mais relevantes do Tech Day 2026, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes de empresas de tecnologia para discutir os caminhos da competitividade e mostrou que a transformação depende das pessoas e de sua disposição para aprender.
A Microsoft destacou que os ganhos com inteligência artificial exigem qualificação profissional e mudanças na cultura das empresas. A Meta mostrou como soluções digitais podem ampliar as oportunidades dos pequenos negócios. O Mercado Livre evidenciou a importância da tecnologia para tornar a logística mais eficiente, e o iFood ressaltou a necessidade de inovar sem perder eficiência.
Os exemplos são distintos, mas convergem para uma mesma conclusão: a tecnologia, sozinha, não assegura competitividade. Seu valor está na capacidade de utilizá-la com estratégia, criatividade e senso crítico. Isso vale tanto para grandes corporações quanto para o pequeno comerciante que busca melhorar o atendimento, organizar processos ou alcançar novos clientes.
O Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades atualmente utilizadas no trabalho serão transformadas ou ficarão desatualizadas até 2030. O dado evidencia que a formação profissional já não pode ser encarada como uma etapa encerrada com um diploma. Aprender, atualizar-se e adaptar-se precisam fazer parte da trajetória de todos.
No Rio Grande do Norte, onde o comércio, os serviços e o turismo têm papel central na economia, essa realidade representa um chamado à ação. Precisamos aproximar o conhecimento dos empreendedores, ampliar o acesso à qualificação e criar condições para que a inovação alcance também os pequenos negócios e o interior do estado.
É nesse compromisso que se insere a atuação do Sistema Fecomércio RN, Sesc e Senac. Ao integrar representação empresarial, desenvolvimento social e educação profissional, contribuímos para preparar pessoas e fortalecer empresas diante de novos desafios.
Não sabemos exatamente quais tecnologias definirão os próximos anos. Sabemos, porém, que nenhuma ferramenta substituirá a necessidade de pensar, aprender e decidir com responsabilidade. O futuro não pertencerá necessariamente a quem sabe mais hoje, mas a quem consegue continuar aprendendo amanhã.

