Assembleia Legislativa homenageia povos de matriz africana e cobra respeito
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte realizou, na tarde desta quarta-feira (17), uma Sessão Solene em homenagem aos povos tradicionais de matriz africana do estado. A iniciativa, proposta pela deputada estadual Isolda Dantas (PT), teve como tema "Nosso Axé, Nosso Orgulho" e reuniu representantes de terreiros, lideranças religiosas, autoridades e integrantes das comunidades de matriz africana potiguares.
A solenidade teve como objetivo reconhecer a contribuição histórica, cultural, religiosa e social dos povos de axé para a formação da identidade do Rio Grande do Norte. Durante a cerimônia, a deputada Isolda Dantas prestou contas sobre diversas ações de seu mandato em prol dos povos de terreiro e enalteceu a importância do reconhecimento dessa parcela significativa da população potiguar.
"Não havia nenhuma lei que reconhecesse a existência desses grupos. Desde o início que entendemos que o nosso mandato deveria ser um instrumento de transformação social. E foi dialogando com os movimentos que entendemos que era preciso reescrever essa história nessa Casa", disse Isolda. "Sinto orgulho da trajetória que construímos, mas sinto a dimensão da ausência que existia antes. Tenho a honra de ser autora das primeiras leis aprovadas nessa casa em defesa dos povos de axé do Rio Grande do Norte".
Na solenidade, foram homenageadas lideranças e representantes de comunidades tradicionais que preservam e difundem saberes ancestrais de origem africana por meio da espiritualidade, da oralidade, da música, da dança, da culinária e de diversas práticas culturais e comunitárias.
Segundo a proposição apresentada pela parlamentar, os povos de matriz africana constituem parte fundamental da história e da formação cultural do Brasil e do Rio Grande do Norte, preservando tradições que atravessam gerações e fortalecem a diversidade cultural do estado.
Ao justificar a homenagem, a parlamentar destacou a importância dos povos de axé na construção da sociedade potiguar e o papel desempenhado pelos terreiros e casas de santo na promoção da solidariedade, do acolhimento e do fortalecimento comunitário.
A deputada também ressaltou que a sessão representa uma reafirmação do compromisso do Poder Legislativo com a defesa da liberdade religiosa, o combate ao racismo religioso e a promoção da igualdade racial e dos direitos humanos.
"Vocês nos ensinam todos os dias sobre resistência, coletividade, cotidiano, ancestralidade, repseito à natureza, à vida, pertencimento, compreensão profunda de que ninguém caminha sozinho. Talvez, seja esse ensinamento que devemos levar para politica dos nossos tempos: uma política capaz de enfrentar o individualismo, o ódio, a exploração e construir caminhos de solidariedade, justiça e coletividade", justificou Isolda, que comemorou ainda a aprovação do projeto que cria a política estadual de enfrentamento à intolerância e racismo religioso no Rio Grande do Norte.
"Foi uma lei construída a muitas mãos. Essa conquista pertence a cada um e cada uma de vocês, que resistiram ao preconceito, denunciaram a violência e nunca abriram mão do direito de existir com dignidade", afirmou a deputada.
Representando os homenageados, Flavinha de Ogum foi enfática em cobrar respeito. Ela reconheceu e exaltou o trabalho realizado pela mandato de Isolda Dantas em prol do tema e agradeceu pelo reconhecimento promovido pela Assembleia Legislativa, destacando a importância da valorização das religiões de matriz africana e de suas contribuições para a sociedade potiguar.
"É importante estarmos todos juntos sempre o tempo todo. Não importa se a gente é de jurema, umbanda, candomblé, somos povos de terreiro e é assim que a sociedade nos enxerga. O preconceito faz com que as pessoas digam 'lá vai o macumbeiro' e não podemos admitir", disse. "Que todas essas homenagens sejam multiplicadas ao longo dos tempos, que tenhamos mais acesso, que comemoremos nossas coisas, sejamos convidados em momentos importantes porque somos importantes. Sempre que olharmos para essas plaquinhas, sintam-se importantes, porque todos somos. Precisamos permanecer firmes e juntos sempre", convocou a homenageada.
Na sessão solene, que foi marcada por momentos de celebração da ancestralidade, da resistência e da diversidade religiosa, diversas lideranças das religiões de matriz africana foram homenageadas. Finalizando o encontro, Isolda Dantas reafirmou a necessidade de se garantir o respeito a todos.
"Quero expressar minha profunda gratidão a todos por terem vindo aqui. Não vamos tolerar nenhuma falta de respeito ao nosso povo", garantiu Isolda, afirmando ainda que será realizado um mapeamento de todos os terreiros no Rio Grande do Norte.
Veja lista de homenageados:
Flavinha de Oxum
Babalorixá Adolfo de Ogum
Babalorixá Daílson d'Oxóssi
Babalorixá Gregory Nobre
Babalorixá Jorge Freire de Oxaguiã
Sandro de Ogum
Doné Mônica de Oya
Yalorixá Ticiane de Osum
Pai Carlinhos e Mãe Branca, representando Mãe Isaura de Oxalá
Mãe Valéria de Oxumaré, representando Mãe Nicinha de Oya Oníra
Mestra Mãe Preta
Pai Alex de Ogum
Pai Bolinha de Ogum
Pai Léo de Odé, representando os familiares de Pai Dedé Macambira
Ekedi Lasa, representando o Coletivo Senhoras do Adjá
Yalorixá Luciane de Oya

