Anvisa identifica bactéria em mais de 100 lotes da Ypê e mantém alerta aos consumidores
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária confirmou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos da Ypê que tiveram a comercialização suspensa no último dia 7.
Segundo a agência reguladora, esta é a primeira vez que a contaminação é oficialmente confirmada em lotes da marca.
Ainda em novembro do ano passado, a própria empresa havia identificado bactérias durante processos internos de produção.
Uma inspeção realizada na unidade industrial da empresa em Amparo identificou 76 irregularidades relacionadas à qualidade microbiológica e ao controle de embalagens utilizadas na fabricação dos produtos.
A operação contou com a participação de equipes da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da vigilância sanitária municipal.
De acordo com o relatório da fiscalização, os agentes encontraram falhas em tanques de manipulação utilizados na produção de detergentes lava-louças. Os investigadores também apontaram que restos de produtos eram armazenados e posteriormente devolvidos às linhas de envase.
Além disso, substâncias utilizadas na fabricação estavam armazenadas de forma inadequada, incluindo materiais sem refrigeração e sem autorização regular para comercialização no país.
A Anvisa orienta que consumidores suspendam imediatamente o uso de produtos pertencentes aos lotes com numeração final “1” e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor da fabricante.
Entre os itens afetados estão detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes comercializados pela marca.
A Diretoria Colegiada da Anvisa deve analisar nesta sexta-feira o recurso apresentado pela Ypê contra as medidas sanitárias impostas pela agência.
Segundo a Anvisa, a fabricante apresentou um novo plano de ações corretivas e investimentos para tentar regularizar a produção e retomar integralmente a comercialização dos produtos afetados.
A empresa informou ainda que mantém suspensas as linhas de produção de líquidos em sua fábrica, mesmo após obter efeito suspensivo parcial que liberou temporariamente fabricação e venda de parte dos produtos.
A decisão da Anvisa provocou forte repercussão nas redes sociais e passou a ser alvo de desinformação e disputas políticas.
Em nota divulgada nesta semana, a agência afirmou que conteúdos compartilhados online distorceram o alerta sanitário relacionado aos produtos da marca.
A Ypê, por sua vez, sustenta que os itens suspensos são seguros e afirma possuir laudos técnicos independentes e fundamentação científica para atestar a segurança dos produtos comercializados.

