80% das famílias estão endividadas no Brasil e juros viram ‘bola de neve’ sem controle

Foto: Nano Banana

O endividamento das famílias brasileiras atingiu um patamar histórico em abril e acendeu um alerta no cenário econômico. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80% das famílias estão com algum tipo de dívida — o maior índice já registrado no país. O avanço ocorre em meio a juros elevados e crédito cada vez mais caro, o que tem pressionado principalmente as famílias de baixa renda.

O cenário financeiro no Brasil vem se agravando mês após mês. Com a taxa Selic em patamar elevado e o crédito mais caro, o orçamento das famílias está cada vez mais comprometido. Segundo especialistas, o impacto dos juros se intensifica pelo chamado spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado dos clientes — que no Brasil está entre os mais altos do mundo.

Isso faz com que o crédito pessoal e o cartão de crédito se tornem armadilhas financeiras. Em alguns casos, os juros do rotativo ultrapassam 400% ao ano, segundo dados do mercado financeiro. As famílias de menor renda são as mais afetadas. De acordo com levantamento citado por economistas, o índice de inadimplência chega a 38,2% entre quem ganha até três salários mínimos.

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“Muitas pessoas estão se endividando para completar o orçamento e pagar despesas básicas, como saúde e alimentação”, afirma a professora Maria Lourdes Mollo, da UnB.

Governo aposta em renegociação

Diante do cenário, o Governo Federal lançou o Novo Desenrola Brasil, programa voltado para renegociação de dívidas de famílias, estudantes e pequenos empreendedores. A iniciativa terá duração de 90 dias e prevê condições mais flexíveis para quitação de débitos.

Entre os principais pontos estão:

descontos que podem chegar a 90% da dívida;

possibilidade de uso do FGTS para abatimento;

juros reduzidos em novos acordos.

O objetivo é reduzir a inadimplência e permitir que famílias voltem a ter acesso ao crédito de forma mais equilibrada.