Dois em cada três brasileiros estão endividados, aponta Datafolha
Dois em cada três brasileiros têm dívidas financeiras, segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (18). O levantamento também aponta que 41% das pessoas que pegaram dinheiro emprestado com conhecidos, como amigos e familiares, não devolveram os valores.
Entre os endividados, a inadimplência atinge diferentes modalidades: 29% estão com parcelas do cartão de crédito em atraso, 26% não quitaram empréstimos bancários e 25% têm pendências em carnês de lojas.
O estudo ainda destaca o uso do crédito rotativo como um dos principais fatores de endividamento. Ao todo, 27% dos entrevistados recorrem a essa modalidade — sendo 5% de forma habitual e 22% ocasionalmente. O rotativo é acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, o que gera cobrança de juros elevados sobre o saldo restante.
A pesquisa também identificou atraso no pagamento de contas de consumo e serviços em 28% dos entrevistados. Entre as dívidas mais comuns estão telefonia e internet (12%), tributos como IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), energia elétrica (11%) e água (9%).
Além do endividamento, o levantamento revela um cenário de pressão financeira. Cerca de 45% da população vive sob forte aperto econômico — sendo 27% em situação considerada “apertada” e 18% em condição “severa”. Outros 36% enfrentam dificuldades moderadas, enquanto apenas 19% estão em situação mais confortável.
Para lidar com as dificuldades, os brasileiros têm adotado medidas de contenção de gastos. O lazer foi o principal item cortado (64%), seguido pela redução de refeições fora de casa (60%) e pela troca por marcas mais baratas (60%). O impacto também atinge o consumo básico: 52% reduziram a compra de alimentos e 50% diminuíram despesas com água, luz e gás.
A pesquisa mostra ainda que 40% deixaram contas vencerem e 38% interromperam o pagamento de dívidas ou a compra de medicamentos.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Ao serem questionados sobre o principal problema pessoal, 37% dos brasileiros apontaram questões financeiras, como baixa renda, endividamento e alto custo de vida.
Fonte: G1

