Após habeas corpus, Justiça manda prender novamente MC Ryan, Poze do Rodo e dono da Choquei

 


A Justiça Federal em São Paulo decretou, na tarde desta quinta-feira (23), a prisão preventiva de 36 investigados suspeitos de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, entre eles os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), apresentado após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus aos investigados.

Segundo a PF, o avanço das investigações e a análise do material apreendido indicaram a necessidade de converter as prisões temporárias em preventivas. A corporação sustenta que há risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de interferência nas apurações, como destruição de provas e alinhamento de versões entre os envolvidos.

Os investigados haviam sido presos temporariamente no último dia 15, no âmbito de uma operação que apura a movimentação de mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e remessas ao exterior.

No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal a prorrogação da prisão temporária por 30 dias, já que, segundo ele, a própria PF havia solicitado inicialmente prazo de cinco dias — período já encerrado. Apesar disso, a nova decisão judicial acatou o argumento de que a prisão preventiva é necessária para garantia da ordem pública diante da gravidade dos fatos.

Além das 36 prisões preventivas, outras três foram convertidas em domiciliares. Entre os alvos estão apontados operadores financeiros, contadores e supostos intermediários do esquema. A investigação indica que MC Ryan SP seria um dos líderes e beneficiário final das atividades, enquanto aliados próximos atuariam na gestão financeira e operacional.

A defesa dos investigados criticou a nova medida. Em rede social, os advogados de MC Ryan SP afirmaram que o pedido da PF é “manifestamente extemporâneo” e questionaram por que a prisão preventiva não foi solicitada anteriormente, caso os requisitos já estivessem presentes. A expectativa, segundo a defesa, é de que a decisão do STJ seja efetivamente cumprida.

O cantor segue custodiado no Centro de Detenção Provisória de Belém, na zona leste da capital paulista. A Secretaria de Administração Penitenciária não informou quando ele poderá ser solto.

Em nota, o advogado Felipe Cassimiro declarou que a decisão do STJ reconheceu a ilegalidade das prisões temporárias no âmbito da operação e que a consequência jurídica seria a revogação das detenções. Já a defesa de MC Poze do Rodo, representada por Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que o novo pedido da PF não apresenta fatos novos e também criticou a condução do caso.

A prisão temporária é uma medida adotada no início das investigações, com prazo determinado (geralmente de cinco ou 30 dias) podendo ser prorrogada em situações específicas. Já a prisão preventiva não possui prazo fixo e é decretada quando há indícios de que o investigado possa atrapalhar o andamento do processo, fugir ou continuar cometendo crimes.

Portal 98 FM