Seridó no mapa global do turismo sustentável - Artigo de Marcelo Queiroz

Por Marcelo Queiroz - Presidente do Sistema Fecomércio RN

OGeoparque Seridó escreveu, com uma condecoração internacional, um novo capítulo de afirmação territorial e de economia sustentável, no último dia 04. A chancela concedida pela entidade holandesa Green Destinations, anunciada na principal vitrine global do turismo (a ITB Berlim), confirma que o Seridó do Rio Grande do Norte transita hoje entre destinos que conciliam herança, legado, respeito às comunidades e potencial de geração de renda local.

Esse êxito não surgiu por acaso. É fruto de projeto técnico, articulação institucional e meses de preparação conduzidos pelo Sistema Fecomércio RN, por meio do Senac, com o Programa Destinos. Em parceria com a entidade alemã BBW e com o Consórcio Público Intermunicipal que congrega os seis municípios do território, formou-se um arcabouço capaz de responder às exigências do selo Green Destinations, critérios avaliados também pelo Conselho Global de Turismo Sustentável.

O significado dessa certificação alcança camadas distintas. Para os técnicos e educadores, representa o reconhecimento de um trabalho de capacitação e monitoramento de geossítios; para as comunidades, abre-se a expectativa de projetos turísticos que respeitem saberes tradicionais e criem fontes de renda; para a imagem do estado, instala-se um ativo reputacional importante no mapa do turismo responsável. Assim, o reconhecimento é mais do que qualidade: é oportunidade.

Há ainda um ganho simbólico de alcance continental: o Seridó torna-se o primeiro geoparque da América Latina a obter essa certificação, fato que reverbera junto à rede internacional de geoparques e à própria Unesco, que já reconheceu o território em 2022. Esse endosso internacional fortalece a atração de investimentos conscientes e novas parcerias técnicas.

Vale lembrar que, na mesma cerimônia, mais um destino apoiado por nossas cooperações foi premiado. O arquipélago de Fernando de Noronha foi reconhecido graças ao trabalho da ONG Golfinho Rotador e à parceria com o Sistema Fecomércio Pernambuco.

Se o prêmio ilumina paisagens e roteiros turísticos, sua luz maior incide sobre pessoas: gestores, guias, artesãos, professores e jovens que veem no turismo sustentável uma alternativa de futuro. Resta o desafio de transformar reconhecimento em práticas permanentes: monitoramento contínuo, governança participativa e economia local fortalecida, para que o selo seja semente, e não apenas troféu.

O êxito celebrado em Berlim, portanto, é uma conquista robusta. Agora, o Consórcio Geoparque tem em mãos uma bússola que indica os caminhos para seguir cultivando a sustentabilidade que o mundo reconheceu.