Chuvas, aglomerações e volta às aulas elevam casos de viroses no RN



A médica infectologista Tásia Falcão afirmou que o Rio Grande do Norte vive um aumento antecipado de casos de viroses respiratórias neste ano. Segundo ela, a elevação começou ainda no fim de fevereiro, antes do período mais comum, e foi favorecida pela antecipação das chuvas, pela volta às aulas, por aglomerações e pelo maior tempo de permanência em ambientes fechados.

“A gente está vivendo esse momento agora de elevação de casos, que inclusive esse ano começou um pouco mais cedo. Já no final de fevereiro, com a antecipação das chuvas, nós começamos a perceber esse aumento na incidência dessas doenças de transmissão respiratória”, disse ela, em entrevista à rádio 94 FM nesta quinta-feira 12.

Segundo a médica, o período chuvoso e a mudança no comportamento das pessoas favorecem a circulação desses vírus. “É aglomeração, confinamento, a temperatura mais fria”, afirmou. Ao comentar o impacto do retorno das aulas, Tásia Falcão disse que a circulação volta a crescer com força nesse período.

“Nas férias está todo mundo mais disperso, em ambientes abertos, o sol, o calor, tudo isso diminui a ocorrência dessas doenças. E agora começa a chuva, começa uma pequena queda da temperatura. E realmente isso vem favorecendo o surgimento desses casos”, declarou.

A infectologista explicou que a gripe é causada por vírus influenza, mas que outros vírus respiratórios também circulam neste período e provocam quadros semelhantes.

Ela afirmou que a mudança de temperatura pode afetar mais pessoas com maior sensibilidade, como alérgicos. “Eles podem causar um pequeno desequilíbrio na imunidade”, afirmou.

A médica acrescentou que nem todo quadro respiratório é gripe. “São quadros que, inclusive, se assemelham, se confundem e podem passar como sendo gripe. Inclusive, os resfriados comuns, como são chamados, que são também infecções causadas por outros vírus com menor gravidade, como adenovírus, rinovírus e também os parainfluenza, eles têm quadros que se assemelham à gripe”, disse.

Segundo ela, a gripe costuma apresentar sintomas mais intensos. “A gripe tem um quadro mais marcante, com febre alta, dor do corpo, tosse. E esses outros, às vezes, são uma coriza, uma febrícula, como a gente chama, uma pequena febre, um mal-estar e que têm uma evolução mais curta. Eventuais complicações realmente surgem no caso da influenza, da gripe”, declarou.

A infectologista explicou que a febre deve ser observada conforme a idade do paciente e o tempo de duração dos sintomas. Em crianças menores, o cuidado deve ser maior. “Se a gente está diante de uma criança com menos de 4 anos, uma temperatura acima dos 38ºC, 38,5ºC, dependendo do caso, realmente requer um cuidado maior”, disse.

Segundo a médica, também é preciso observar se a febre persiste por vários dias ou se há outros sintomas associados.

Vacinação

A infectologista também orientou a população a procurar vacinação contra influenza. Segundo ela, a vacina deste ano começa a ser disponibilizada ainda em março para alguns grupos e, em abril, deve estar na rede SUS.