Aumento de mortes violentas reforça necessidade de preparo profissional para lidar com luto de crianças e adolescentes

 


Curso do Núcleo Apego e Perdas discute impactos emocionais das perdas e estratégias de acolhimento

O aumento de mortes violentas no Brasil — como homicídios, feminicídios, suicídios e acidentes — tem ampliado a preocupação com os impactos emocionais dessas perdas sobre crianças e adolescentes. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registrou mais de 47 mil mortes violentas intencionais em 2023, um cenário que atinge diretamente milhares de famílias e deixa marcas profundas no desenvolvimento emocional de jovens.

Especialistas alertam que, quando a perda ocorre de forma abrupta ou traumática, os efeitos podem ser ainda mais intensos. Em crianças e adolescentes, o sofrimento muitas vezes não se manifesta apenas pela tristeza, mas também por mudanças de comportamento, dificuldades escolares, isolamento, irritabilidade ou sintomas associados à ansiedade e depressão.

Nesse contexto, cresce a necessidade de profissionais preparados para identificar sinais de sofrimento emocional e oferecer acolhimento adequado. Psicólogos, educadores, assistentes sociais e profissionais da saúde costumam ser os primeiros a perceber mudanças no comportamento de crianças e adolescentes que enfrentam processos de luto.

Com o objetivo de ampliar esse debate e oferecer ferramentas práticas de atuação, o Núcleo Apego e Perdas promoverá o curso “Luto na infância e na adolescência”, que será realizado nos dias 18 e 25 de março, das 19h às 21h30, em formato online, pela plataforma Zoom.

A formação abordará temas como tipos de perdas, processos de luto, luto infantil e adolescente, sinais de alerta para adoecimento psíquico e estratégias de acompanhamento emocional.

De acordo com a psicóloga Kátia Bezerra, especialista em luto e uma das professoras do curso, compreender o luto infantil é essencial para evitar que o sofrimento seja ignorado ou mal interpretado. “Durante muito tempo se acreditou que crianças não compreendiam plenamente a morte ou que superariam rapidamente uma perda. Hoje sabemos que o luto infantil existe e pode se manifestar de várias formas. Por isso, profissionais precisam estar preparados para reconhecer esses sinais e oferecer um acolhimento adequado”, afirma.

Para a psicóloga Millena Câmara, também integrante do Núcleo Apego e Perdas, perdas repentinas costumam gerar impactos emocionais ainda mais complexos. “Quando uma perda acontece de forma inesperada, como em situações de violência ou suicídio, o impacto emocional pode ser muito intenso. Crianças e adolescentes podem apresentar retraimento, alterações no comportamento ou quadros de ansiedade e depressão. O olhar atento dos profissionais é fundamental para identificar esses sinais”, explica.

A psicóloga Débora Sampaio destaca que o preparo profissional precisa ir além dos espaços tradicionalmente ligados ao luto. “Muitas vezes os primeiros sinais de sofrimento aparecem em ambientes como a escola ou a universidade. Por isso, educadores e profissionais da área educacional também precisam estar preparados para acolher e orientar crianças e adolescentes que enfrentam processos de perda”, ressalta.

Além de profissionais da psicologia, o curso é voltado para educadores, profissionais da saúde, assistência social e outras áreas que atuam diretamente com crianças e adolescentes no cotidiano — não apenas em hospitais ou empresas funerárias, mas principalmente em escolas, faculdades e instituições educacionais, onde o impacto emocional dessas perdas muitas vezes se torna mais visível.

Para os organizadores, ampliar a discussão sobre o tema é uma forma de fortalecer redes de cuidado e atenção à saúde mental de jovens. A preocupação, segundo o Núcleo Apego e Perdas, vai além do presente e envolve o impacto dessas experiências no desenvolvimento emocional e no futuro de toda uma geração.

Profissionais que atuam em instituições públicas e filantrópicas terão 40% de desconto na inscrição. O curso também oferece certificação aos participantes, como forma de fortalecer a qualificação profissional na área.

Sobre o Núcleo Apego e Perdas

O Núcleo Apego e Perdas é um grupo que atua no Rio Grande do Norte dedicado ao estudo e à prática clínica voltados à compreensão das relações entre vínculos afetivos, perdas e processos de luto. A iniciativa reúne psicólogas e profissionais especializados no tema e desenvolve atividades de formação, supervisão clínica e difusão de conhecimento para profissionais e estudantes.

Serviço

Curso: Luto na infância e na adolescência/ Núcleo Apego e Perdas

Datas: 18 e 25 de março de 2026

Horário: 19h às 21h30

Formato: Online (Zoom)

Desconto: 40% para profissionais de instituições públicas e filantrópicas

Certificação incluída

Informações e inscrições:

www.apegoeperdas.com

Instagram: @apegoeperdas