Servidores da UFRN entram em greve por tempo indeterminado



Os servidores técnico-administrativos da UFRN anunciaram nesta segunda-feira (23), em assembleia realizada no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), a instalação do comando local de greve e os próximos passos do movimento. A paralisação ocorre após o descumprimento de 17 pontos do acordo firmado em 2024 com o governo federal.

Após quase dois anos da assinatura do acordo de 2024, os servidores, vinculados ao Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do RN (Sintest), entraram em greve. “É um leque de coisas, de pontos que são descumpridos, e a categoria hoje não vê outra forma, a não ser retomar a greve”, disse Sandro Pimentel, coordenador de educação da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (Fasubra Sindical).

Segundo a categoria, a greve funciona como uma retomada do movimento anterior, não para conquistar novos direitos, mas para assegurar a integralidade do que já havia sido firmado.

Entre os pontos considerados essenciais pelos servidores está a inclusão dos aposentados, prevista no termo de acordo, que garante que os direitos estabelecidos se apliquem também a quem já se aposentou. 

Além disso, a jornada de 30 horas semanais, prevista no acordo, não foi implementada, assim como a escala de trabalho 12 por 60 para profissionais que atuam em hospitais universitários e na segurança, também garantida no termo de acordo, permanece descumprida, conforme a categoria.

A greve, aprovada na última quinta-feira (18), faz parte de um movimento nacional da categoria. Até o momento, de 50 sindicatos da Fasubra, 21 já aprovaram greve e 11 foram contrários, enquanto a categoria define estratégias para pressionar o governo federal.

A assembleia contou com cerca de 170 participantes e marcou a instalação do comando local de greve.

Dentro da categoria, há opiniões divergentes: enquanto alguns servidores temem que a greve prejudique a implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e cause desgaste político, outros defendem que a mobilização é necessária para assegurar os direitos conquistados.

As aulas da UFRN estão previstas para voltar no dia 1º de março, entretanto os danos da greve à comunidade acadêmica ainda não podem ser mensurados, conforme Welington Soares, diretor estadual e coordenador jurídico do SINTEST. “Já está deflagrada a greve, mas a categoria ainda está dividida, então é prematuro para a gente ter um posicionamento, já que tudo isso vai depender da adesão”, destaca.

A categoria decidiu que o comando de greve será composto pelos servidores Adauto Sabino, Ana Rogéria Pereira, Thazia Maia e Gerlane Marques.

Em nota, a UFRN destacou que a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp-UFRN) segue em diálogo com a representação da categoria, acompanhando as negociações entre os servidores e o governo federal.