Bloco Os Cão mantém tradição da lama e reúne multidão na Redinha

 


Nesta terça-feira de Carnaval, a tradição tomou conta das ruas da Redinha com mais uma edição do bloco Os Cão, que chega à sua 52ª edição. O bloco mantém sua força como um dos mais antigos e festejados da região, reunindo centenas de foliões em um desfile marcado por alegria e muita lama.

Considerado Patrimônio Cultural Imaterial de Natal, o bloco mantém viva a tradição de se fantasiar no mangue, um costume que atravessa gerações e reúne famílias, crianças e turistas. A concentração acontece nas proximidades da Ponte Newton Navarro a partir das 10h, de onde os foliões seguem em desfile pelo entorno da Avenida da Alegria, cruzando a Avenida João Medeiros Filho e retornando ao Mercado da Redinha.

Francisco de França, conhecido como Chico do Maruim, é um dos nomes que ajudam a contar a história do bloco. Participante desde os 12 anos, hoje, aos 72, relembra como tudo começou.

“Quem fundou foi Zé Lambreta. Dizem que ele estava no mangue chupando uma manga e, quando saiu todo sujo de lama, o povo achou engraçado. Começaram a dizer ‘lá vai o cão chupando manga’, e assim começou a tradição de sair andando pelas ruas melado de lama do mangue”, conta.

Hoje, para Rafael Ribeiro, um dos organizadores do bloco, a história é motivo de orgulho. Ele destaca o sentimento de pertencimento que a tradição desperta nos foliões. “Quem sai nos Cão uma vez não quer mais deixar de sair. É um legado que atravessa gerações desde 1964. Independente de abadá ou não, o importante é a brincadeira acontecer, se melar e sair pelas ruas levando alegria”, afirma.

Neste ano, o bloco foi conduzido pela banda Negão, que animou e guiou os foliões durante todo o trajeto pela Avenida da Alegria, um dos principais polos do Carnaval de Natal em 2026.

A secretária da Funcarte, Iracy Azevedo, reforçou a importância cultural do bloco e a necessidade de preservar a tradição. “O bloco Os Cão faz parte da identidade da Redinha. Começou há muitos anos, se mantém vivo e cresce a cada edição. É uma brincadeira que conquista o público e precisa ser incentivada, porque o que é tradicional deve ser preservado”, declarou.

A programação do Carnaval de Natal na Redinha segue até esta quarta-feira (18), com desfiles tradicionais como o bloco Baiacu na Vara e o Bloco dos Garis.