Prefeito de Ielmo Marinho é liberado após audiência de custódia
A Justiça concedeu liberdade provisória ao prefeito de Ielmo Marinho, Fernando Batista Damasceno, e à primeira-dama, Adriana Leocádio Silva Damasceno. O casal passou por audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (29), um dia após terem sido presos em flagrante durante a Operação Securitas, conduzida pela Polícia Civil. Foram aplicadas medidas cautelares ao casal.
Devido à prerrogativa de foro (foro privilegiado) do prefeito, a audiência de custódia foi conduzida pelo Tribunal de Justiça potiguar (segunda instância). Para a concessão da liberdade provisória, foram impostas medidas cautelares, incluindo a obrigação de comparecimento mensal em juízo para prestar informações e justificar suas atividades, além da proibição de ocultar, destruir, alienar ou dar qualquer destino a bens, documentos ou valores relacionados aos fatos sob investigação.
Adicionalmente, devem cumprir o recolhimento domiciliar noturno e notificar antecipadamente qualquer alteração de seu endereço.
A prisão em flagrante do prefeito, segundo a Polícia Civil, deveu-se à sua tentativa de obstruir a investigação. Ele tentou ocultar provas, atirando dinheiro e um celular para fora da residência enquanto as ordens judiciais estavam sendo cumpridas.
A Operação Securitas foi iniciada com o propósito de investigar um grupo criminoso. Esta organização é suspeita de intimidar adversários políticos, e há indícios da possível participação de agentes públicos com mandato e de um policial militar.
O objetivo central da operação foi coletar novas evidências para apurar, em especial, as suspeitas de porte ilegal de arma de fogo, formação de milícia privada e organização criminosa, além de identificar outros indivíduos potencialmente envolvidos.
As investigações, iniciadas em 2023, miraram a apreensão de documentos, valores, armas e dispositivos eletrônicos, incluindo celulares. Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso estaria estruturado para usar a violência e a intimidação no cenário político local, possuindo um núcleo armado e significativa capilaridade político-administrativa. Os investigados incluem o prefeito, ocupantes de mandatos legislativos e um policial militar.
A apuração foi desencadeada, em parte, por um incidente em Ielmo Marinho, onde surgiram informações de que indivíduos fortemente armados estavam dentro da Câmara Municipal. A suspeita era de que estes homens prestavam segurança privada a um parlamentar e tinham o intuito de intimidar a oposição. Na ocasião, uma grande quantidade de armas e munições, incluindo calibres restritos como .40 e .45, além de outros materiais, foi apreendida.
Em nota emitida pela assessoria do prefeito nessa quarta, o gestor reafirmou total disposição em colaborar com as autoridades para o esclarecimento célere do caso.
“Fernando Batista Damasceno reitera sua confiança nas instituições e na Justiça, mantendo o compromisso inabalável com a transparência e com o povo de Ielmo Marinho. A agenda administrativa e o trabalho em prol do município seguem mantidos, pautados pela ética e pela legalidade”, diz a nota.
*Com informações de Tribuna do Norte

