Pela 1ª vez, idosos são menos de 1/3 dos internados em UTI por covid

 


Junho de 2021 foi o 1º mês da pandemia em que idosos foram menos de 1/3 dos internados em UTI por covid-19. Pessoas com 60 anos ou mais representaram 30,9% das 31.928 internações em UTIs registradas no mês.

Esse é o menor percentual mensal desde o início da pandemia. Em dezembro, antes da vacinação, os idosos eram 64,4% dos internados.

O gráfico acima mostra os percentuais de internados por idade. As pessoas de 30 a 59 anos foram 63,9% dos internados. O grupo etário é, desde maio, o mais presente nas UTIs de covid.

O médico intensivista e coordenador do Projeto UTIs Brasileiras Ederlon Rezende afirma que a mudança do perfil etário dos internados é consequência da vacinação.

O principal benefício da vacina é proteger você das formas mais graves da doença“, afirma o médico. Dessa forma, diminui as chances do infectado ser hospitalizado ou precisar de UTI.

Poder360 analisou 477.363 registros de internação no Sivep-Gripe, banco de dados do SUS, atualizado em 7 de julho de 2021.

Os dados de maio (31.928 internações) são parciais e devem ser atualizados nas próximas semanas. Só foram considerados os casos com informações completas sobre faixa etária, mês de internação e local.

Em junho, embora os dados ainda sejam preliminares, é possível enxergar uma tendência de queda no número absoluto de internações.

A vacina tem esse papel que talvez seja o mais importante: contribuir para reduzir a sobrecarga no sistema de saúde“, diz Rezende.

O pico de internações foi em março de 2021. Em abril e maio o número ainda estava elevado, mas em queda progressiva frente ao 3º mês do ano.

Apesar da tendência de recuo, o nível de junho ainda é superior ao de qualquer mês de 2020. O médico intensivista diz que o sistema de saúde “continua ainda muito carregado“.

Rezende afirma que há uma pressão reprimida de pacientes não-covid que precisam de um leito de UTI. Ou seja, pacientes de outras doenças que precisaram aguardar o alívio da pandemia para utilizar o sistema de saúde, como pessoas em espera de cirurgias agendáveis.

O médico afirma que a expectativa para os próximos meses é otimista. Mas ainda há riscos. Entre eles, o surgimento de uma variante mais transmissível ou mortal e que as vacinas atuais não sejam tão eficazes.

Independente do avanço da vacinação, a população precisa entender que a vacina não garante 100% de proteção contra o risco de se infectar“, diz o Rezende.

As medicas de proteção (evitar aglomeração, uso de máscara e higienização das mãos) continuam necessárias. “Ainda não é momento para baixar a guarda“.

PODER 360

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