Quase Contos: a literatura e o distanciamento surreal de Cellina Muniz

 


Durante o período de maior isolamento da pandemia, quem teve o privilégio de poder permanecer em casa foi obrigado a encontrar formas de lidar com  a impossibilidade de ver amigos, parentes e pessoas queridas. Lives, chamadas de vídeo, exercícios físicos e receitas culinárias foram alguns dos passatempos mais buscados, mas houve quem também se refugiasse nas histórias. É o caso da professora e pesquisadora Cellina Muniz, escritora cearense que integra o departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Durante os longos meses sem sair de casa, a mãe da Rosa Maria matou o tempo trazendo ao mundo 16 contos reunidos no livro Quase Contos, a ser lançado na manhã deste sábado, 6, a partir das 9h, no Sebo Catalivros, do Mercado de Petrópolis.

Essa é a nona obra da autora, dentre títulos acadêmicos e literários, e o quarto livro de contos.

“Cada um dos contos trata de uma estória que “fica meio no ar”, não se conclui exatamente…”, explica Muniz, que ressalta a impossibilidade de distinguir nos textos “o que é real e o que é ficção”:

“Certamente as histórias partem de minha experiência no mundo: não um episódio necessariamente vivido por mim tal e qual, mas uma cena que presenciei, um fiapo de conversa que ouvi, do nada surge uma ideia na mente como se fosse uma pergunta: “e se…?”. Eu fico “remoendo” essa ideia, corro para o computador e prontamente ela se define de uma vez”, descreve Cellina sobre o próprio processo de criação.

Em “O espelho”, escrito bem no começo do isolamento, relembra Muniz, gritos “terríveis vindos de longe” realmente foram ouvidos por quase duas semanas na vizinhança da escritora. Depois, o lamento simplesmente desapareceu. Não sabendo do que se tratava, criou a própria versão em conto.

No surreal “O Papagaio e a Bruxa”, fala de um louro que ria e Até parecia sincera aquela alegria”, mas vive por uma chance de ser livre. Já com “O Vestido”, a autora transita delicadamente entre a dor, o luto e a redescoberta de afetos.

“Quase Contos” foi contemplado na Lei Aldir Blanc/FUNCART. Além dele, Cellina também é autora de “O livro de contos de Alice N. (2012)”, “Uns contos ordinários (2014)”, “Contos do mundo delirante (2018)” e “O Bombo – guerra e paz em Natal, 1945 (2020)”, além de outras obras literárias e acadêmicas.

A nova obra tem posfácio de Alves de Aquino, poeta e editor cearense, além de professor de Filosofia da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), conhecido ironicamente como Poeta de Meia-Tigela. O desenho que ilustra a capa do livro foi elaborada por Rosa Maria, adolescente de 15 anos e filha da autora.

Uma parte da tiragem dos livros será distribuída gratuitamente em bibliotecas públicas e escolas; os demais exemplares serão vendidos a R$ 20. 

“Não sei precisar quantas pessoas foram beneficiadas, mas certamente o livrinho ajudou a girar uma cadeia produtiva que vai desde a elaboração do projeto gráfico da capa até a impressão final, sem falar na produção cultural implicada na elaboração do projeto e no lançamento”, afirma Muniz sobre o edital.

Durante o lançamento simbólico, a autora estará presente autografando a obra e conversando sobre o livro.

Serviço:

 “Quase Contos”, de Cellina Muniz

Quando: Sábado, 6 de fevereiro
Onde: Sebo Catalivros do Mercado de Petrópolis.
Horário: Das 9h às 13h
Preço do livro: R$ 20

Fonte: Saiba Mais

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