Mutirão ecológico prevê o plantio de 10 mil mudas no estuário Potengi


O sítio histórico e ecológico Gamboa do Jaguaribe, juntamente com o coletivo Ocaruçu Pitã, promove nos dias 21 e 22 deste mês o replantio de 10 mil mudas nativas do mangue. O mutirão pretende reflorestar a Ilha do Cajueiro, localizada no Rio Potengi.

Participam da atividade docentes e estudantes da UFRN e IFRN e de escolas da Grande Natal, bem como grupos de escotismo e da Campanha da Fraternidade. A organização espera que cerca de 200 pessoas participem do mutirão ecológico.

Para participar, basta comparecer ao antigo porto das balsas da Praia da Redinha, de onde sairão os barcos com destino à Ilha do Cajueiro, não sendo necessário realizar inscrição. As viagens estão marcadas para as 7h, 8h e 9h.

No Facebook, a página do evento já conta com mais de 100 confirmações de comparecimento e pode ser acessada através do link www.facebook.com/events/180549355783613.

O LUGAR

A Ilha do Cajueiro fica no meio do Rio Potengi, a cerca de 1,5 km do antigo porto das balsas da Praia da Redinha. Foi o local do antigo Projeto Camarão, iniciado na década de 1970, do Governo do Estado do Rio Grande do Norte sob a gestão de Cortez Pereira. Os viveiros foram desativados, mas não reflorestados. Daí a necessidade do mutirão.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

O topônimo Igapó é procedente do idioma Tupi, significa: mão d’água, numa alusão a região alagadiça, de manguezal, que vem desde a foz do Rio Potengi (Redinha Velha), e segue a outros municípios do Rio Grande do Norte. 

Até hoje o bairro Igapó é conhecido como “Aldeia Velha” e a memória indígena é negligenciada, a efetivação desse patrimônio material é recusada (Spencer, 2010). Diversos escritores dissertam sobre a importância desse local e seus personagens para formação do que chamamos de Brasil, como o Potiguara Felipe Camarão, patriarca do exército brasileiro. (Cascudo, 1980:92; Medeiros Filho, 1997).  

A primeira igreja construída no Rio Grande do Norte foi a Capela de Nossa Senhora do Soledade em 1612, a pedido do Índio Poty para cumprir os sacramentos católicos. Assim como essa igreja que se encontra em ruínas toda memória da etnia Potiguara é esquecida pelas elites da administração estatal, assim como toda uma riqueza ecológica, histórica e arqueológica que é desconsiderada.  

O território da Aldeia Velha é uma das dez zonas de preservação ambiental (ZPA-8) da cidade, e encontra-se em processo de regulamentação. A ZPA-8 corresponde a maior e mais rica zona de preservação ambiental da cidade, com mais de 13% do território do município de Natal e integra o estuário Potengi/Jundiaí, estuário que é berço de cerca de 70% das espécies marinhas, fomentando assim a pesca, principal atividade econômica do estado.