Instalação do Parque Tecnológico em Extremoz vai impulsionar Vetor Norte
Energias renováveis, minério, sal, frutas tropicais, produção de camarão e outros frutos do mar, sem falar do turismo. Esses são alguns dos vetores econômicos de grande potencial no Rio Grande do Norte, segundo Flávio Azevedo, secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte e empresário.
E serão essas riquezas alguns dos principais alvos das pesquisas desenvolvidas no Parque Tecnológico que o governo do estado quer implementar até novembro de 2018 em Extremoz, região Metropolitana de Natal. A empresa estatal vai integrar os conhecimentos gerados pelas universidades e instituições de pesquisa potiguares às empresas locais, com o objetivo de melhorar a qualidade da indústria, por meio da inovação, e gerar competitividade.
A construção do Potipark, dentro do programa RN Sustentável, tem custo previsto de R$ 54 milhões. A licitação é prevista para abril e será feita pelo Banco Mundial – financiador do projeto. Estudos de viabilidade já foram realizados e entregues entre 2015 e 2016.
De acordo com o próprio secretário Flávio Azevedo e empresários potiguares, este é mais um dos vetores de desenvolvimento da zona Norte de Natal e dos municípios conurbados. A aposta é que o desenvolvimento da capital potiguar se volte para essa região nos próximos anos, por uma série de fatores: falta de áreas para expansão na região sul, a operação do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, a implantação de nova infraestrutura viária que facilita o acesso ao setor – por meio da avenida Moema Tinoco - e a instalação de novos projetos empresariais, imobiliários e industriais. “É uma região ainda pouco demandada. Tudo está na região sul: o Distrito Industrial em São José de Mipibu, o de Goianinha, todos ali seguindo a BR-101. É uma oportunidade de abrir uma nova frente, como as empresas de construção civil abriram nos municípios de Extremoz, Ceará-Mirim”, argumenta o secretário de Desenvolvimento Econômico.
Azevedo exemplifica: após a conclusão da primeira etapa, o Potipark será frequentado por cerca de 600 profissionais, entre professores, mestres, doutores e pesquisadores, além de empresários. A movimentação atrai construção civil, além de várias indústrias.
O terreno de 160 hectares foi doado ao governo do estado pela empresa Spel, do professor e empresário Paulo de Paula. O valor estimado da propriedade é de R$ 9 milhões. Inicialmente, o parque tecnológico funcionaria em um terreno concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) ao estado, por um período de cerca de três décadas. A mudança de planos ocorreu com a oferta de doação, pois o valor do terreno iria permitir a criação da empresa estatal, com um patrimônio inicial de R$ 9 mi.
Na primeira fase, o parque tecnológico terá cerca de cinco prédios construídos, entre instalações para a UFRN, para o Instituto Senai de Inovação, central com auditório setor administrativo, além de salas para laboratórios. A área ainda contará com 380 lotes que poderão ser cedidos a empresas interessadas em utilizar os laboratórios disponíveis para pesquisa aplicada na produção de produtos e processos mais competitivos.
Embora tenha doado o terreno sem contrapartidas ao governo do estado, Paulo de Paula beneficia um ousado projeto seu naquela região: o Vista Mar Pitangui Jacumã – o projeto de uma “nova cidade”, segundo o diretor do grupo empresarial, Hugo Bueno. A área, de 2700 hectares, é o equivalente a 16% de todo o território da capital potiguar (conforme dados do IBGE, com 16726,4 hectares).
Em parceria com outros grupos da construção civil, a empresa pretende construir condomínios loteamentos, áreas comerciais, culturais, equipamentos de saúde, esporte, lazer, segurança, além de áreas industriais. Apesar de já ter projetos a serem lançados em 2017, o programa é de longo prazo e a estimativa é que leve cerca de 20 anos para ser concluído.
Placas fotovoltaicas em Extremoz
Uma das indústrias que vai se instalar na área do Potipark é a chinesa Chint Eletrics – uma das maiores produtoras de placas fotovoltaicas do mundo - que assinou um protocolo de intenções com o governador Robinson Faria (PSD) no mês passado, em visita do chefe do Executivo estadual ao país asiático. A localização da fábrica no Rio Grande do Norte ficou acordada no procoloco, segundo o secretário Flávio Azevedo, que participou da comitiva estadual. “Ficou tudo acertado”.
De acordo com ele, essa é uma oportunidade que o estado tem de “tropicalizar” os equipamentos de geração de energia fotovoltaica, ou seja, pesquisar alterações no produto para que fique mais adequado à irradiação solar e ao clima da região.
O estado tem cerca de 300 dias de sol ao ano, quando países europeus que têm grande produção, contam com 200 dias. Azevedo lembra que isso aconteceu também com as pás de energia eólica, quando a tecnológica chegou por aqui. “Temos condições especiais de vento. Quando as pás chegaram aqui, produziam menos do que podiam, tiveram que ser remodeladas”, comenta.
Para isso, defende, é preciso pesquisa. “Não tem como fazer inovação sem pesquisa. O empresariado brasileiro, por uma questão cultural e de dinheiro, nunca pesquisou. Por isso teve como alternativa buscar proteção do estado, no sentido de pedir alíquotas sobre tecnologias ou produtos estrangeiros de melhor qualidade, ou mesmo sobre processos industriais mais avançados”, aponta.
Para ele, esse é um problema nacional, não só do RN. Enquanto as empresas perdem espaço e competitividade, as universidades e instituições de pesquisa fazem pesquisa, sem, porém, tirá-las do papel, por falta de condições ou iniciativa empreendedora. O que o parque propõe é transformar conhecimento em riqueza, não apenas monetária, mas também social e tecnológica.
“A tese é juntar esses dois segmentos: pesquisador, que normalmente não é empreendedor; e o empreendedor, que não tem nenhuma noção de pesquisa em inovação tecnológica. Cabe ao governo, com o recurso do Banco Mundial, pegar essas pesquisas aplicadas, afinar esses estudos e verificar as viabilidades reais dessas pesquisas. Tem pesquisas fantásticas que podem se transformar em empresas”, pontua.
A administração do parque tecnológico será feita em tripé, pela UFRN, pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) e Fundação de Apoio à Pesquisa do RN (Fapern), ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
Busca por soluções para indústria local
“Não vamos desenvolver um módulo lunar”, diz Flávio Azevedo. De acordo com ele, o parque tecnológico potiguar vai seguir um padrão europeu, porém voltado para as necessidades locais e dentro da realidade da indústria potiguar.
O secretário, que também é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lembra que estados como Rio Grande do Norte e Paraíba estão imprensados entre duas economias muito maiores, como é o caso do Ceará e de Pernambuco. Alagoas e Sergipe também têm dificuldade de competir com Pernambuco e Bahia. “O Rio só corre para o mar. Os investimentos dessas empresas vão para onde houver melhor infraestrutura. O Rio Grande do Norte é o maior produtor de energia eólica do Brasil, mas as fabricantes de aerogeradores só se instalam ou em Pernambuco ou no Ceará, porque lá tem porto, estrada, linha de transmissão. A infraestrutura nesses estados é maior do que a que dispomos”, argumenta.
Azevedo avalia que o Potipark virá justamente tentar compensar essa série de fatores estruturais e geopolíticos para desenvolver os vetores locais. Ele cita o caso das frutas tropicais vendidas pelo estado para a Europa.
“Nós vendemos nossa fruta como commodity. Somos o segundo maior produtor de fruta tropical, mas não processamos a fruta. Quem ganha é o europeu. O melão chega inteiro lá, ele descasca, o lixo transforma em adubo e manda o melão processado para os restaurantes, porque lá tem uma infraestrutura de logística”, aponta. “Nosso melão tem que ser processado. Porque não processar aqui? Tem que ter tecnologia, tem que ter a temperatura certa, tem que montar uma logística para processar e embarcar imediatamente. Tudo isso exige estudo”, reforça.
Fonte: http://www.novonoticias.com

