Clínica escola da UFRN oferece acompanhamento psicológico gratuito para a comunidade


O Serviço de Psicologia Aplicada (SEPA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) oferece tratamento clínico à população e está com processo aberto de plantões para triagem, momento em que os pacientes passam por avaliação e é definido qual o atendimento que a demanda requer. 

A clínica escola do curso de Psicologia conta com dez profissionais, entre assistentes administrativos, professores, psicólogos e psicopedagogos, além dos estagiários, que são responsáveis por viabilizar os serviços de psicoterapia, psicologia organizacional e avaliação psicológica. Para tanto, dispõe de sete salas de atendimento para adultos, duas de ludoterapia, uma para atendimento em grupo e uma de avaliação psicológica, além de outras três usadas para supervisão, aulas ou reuniões.

A psicóloga Patrícia Karla de Souza e Silva salienta que no ano passado foram atendidas cerca de 500 pessoas. A situação deve se repetir em 2017, já que a procura está sendo alta. Por esse motivo, os critérios de prioridade precisam ser seguidos sistematicamente. “Aqui é uma clínica social, portanto requer algumas particularidades, com a demanda analisada sob questões clínicas e de renda, com prioridade às pessoas mais vulneráveis economicamente. Mas casos de alerta, também são priorizados, tais quais as pessoas que apresentam um sofrimento intenso psíquico, com risco de suicídio ou depressão forte”, destaca.

Uma das principais características do Serviço de Psicologia Aplicada é a prestação de tratamentos gratuitos à comunidade em geral, constituindo-se em um espaço de aprendizagem permeado por atividades de ensino, pesquisa e extensão. Fundado em 1965, atualmente é um órgão suplementar diretamente ligado ao Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), sob a direção da professora Lieti Coelho Lea. O SEPA precede a criação do curso de Psicologia, apresentando-se até mesmo como uma das razões para o surgimento da graduação no estado.

Em sua dissertação de mestrado, há quase duas décadas, o professor Herculano Campos já salientava a relevância do Serviço para a psicologia do estado, ao apontar para o fato de que a criação do órgão “favoreceu o desenvolvimento de uma concepção e de técnicas científicas de abordagem dos problemas psicológicos, permitiu o estudo sistemático das ideias psicanalíticas, introduziu o que havia de mais moderno na psicometria e contribuiu com a pesquisa educacional”.
O raciocínio é similar ao da professora Ana Karina Silva Azevedo. Ela identifica que o SEPA possui uma aliança, entre o conhecimento teórico e a prática psicológica, nas mais diferentes perspectivas da Psicologia. Supervisora dos estágios em clínica, ela coloca que as atividades atendem, também, às diretrizes postas no Projeto Pedagógico do Curso, que preconizam um volume de carga horária prática compatível com a outorgação da graduação na área. A educadora ressalta, também, outro aspecto: a supervisão.

“Os professores do departamento de Psicologia que acompanham trazem, para além da formação teórica, a reflexão acerca dos casos atendidos. Essa contribuição é fundamental para a formação do aluno visando à prática psicológica. Além disso, sendo campo de estágio, práticas de extensão e de pesquisa, apresentando-se como um abrigo para articulação de tantas ações e para tanta integração acadêmica, considero o SEPA fundamental para a formação dos graduandos deste curso”, pontua Ana Karina.
Oportunidade que pode salvar vidas

O termômetro do Serviço é o paciente. Ao procurarmos alguém que utiliza o SEPA, encontramos Davi Jonas (nome fictício), de 33 anos. Reticente, topou falar sobre o tratamento para a depressão no SEPA, ao qual se submete desde novembro de 2016. A doença é uma luta cotidiana que avança por mais de uma década e, nesse período, tratamentos psiquiátricos e psicológicos se sucederam, até não ter mais condições financeiras de arcar com os custos. Foi aí que surgiu um “anjo da guarda”.

“Uma amiga próxima, que sabe que eu tenho depressão, ofereceu-se para procurar ajuda para mim através de uma amiga psicóloga que me indicou o SEPA. Aqui tenho com quem falar sobre as dúvidas em relação ao valor da vida, das nossas próprias culpas e as nossas ansiedades. No meu caso, tenho dificuldade com esses sentimentos e não sei como lidar com eles”. Acredita que essa oportunidade faz a diferença para pessoas que não estão em condições de arcar com o tratamento: “Pode salvar vidas”. 

Dinâmica de atendimento

As atividades se desenvolvem em muitos níveis. As triagens, sem custos, podem conduzir para psicoterapia, a depender da disponibilidade de vaga é realizado no próprio SEPA, onde o paciente permanece em atendimento frequente ou é encaminhado para outros profissionais.

Há ainda a possibilidade de participação em grupos específicos, como de enfrentamento à timidez e de orientação profissional. Além dessas atividades, são realizados projetos de extensão com atividades de atendimento à comunidade, como o Serviço de Neuropsicologia da Infância e da Adolescência, núcleo especializado em diagnóstico interdisciplinar e em pesquisas dos transtornos do neurodesenvolvimento, que atende pessoas na faixa etária de sete a dezoito anos acometidas por diferentes transtornos do desenvolvimento, lesões ou disfunções neurológicas.

O telefone de atendimento do SEPA é o (84) 3215 3603.