Câmara debate desafios e barreiras das mulheres que convivem com HIV/AIDS


 
Os desafios vividos pelas mulheres convivendo com HIV/AIDS foi tema de debate na manhã desta quinta-feira (12), na Câmara Municipal de Natal. A temática foi proposta pela vereadora Divaneide Basílio (PT), na reunião da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres, que é presidida pela vereadora Júlia Arruda (PDT). Dentre os encaminhamentos identificados pela Frente foram destacadas questões relacionadas a se traçar um perfil das mulheres que convivem com HIV/AIDS, saber onde elas estão, em que comunidades se encontram, quais secretarias estratégicas trabalham diante da causa, entre outros.

A presidente da Frente Parlamentar, vereadora Júlia Arruda, destacou que um tema ainda tão cheio de tabus e preconceito precisa ser desmistificado. Para a vereadora, quando as políticas públicas chegarem nos grupos em questão, aí sim as mulheres se sentirão acolhidas.  “Um dos pontos que chama atenção é a ausência de dados, de um senso que identifique o perfil dessas mulheres e nós questionamos esses números. Com eles, a Câmara poderia monitorar mais de perto e saber, por exemplo, se o acesso ao tratamento está sendo democratizado, se existem campanhas de articulações entre os entes envolvidos, entre outras medidas que devem ser adotadas,  para que assim as nossas mulheres se sintam protegidas e acolhidas”, relatou.

A vereadora Divaneide Basílio avaliou que a necessidade em debater a questão surgiu, ainda, após ser percebido um aumento significativo no número de mulheres vivendo em condições de HIV/AIDS, o que preocupou as participantes da Frente Parlamentar. “Hoje ouvimos relatos de mulheres soropositivo,  representantes de movimentos sociais,  além da gestão pública. O que nós objetivamos, também, é monitorar as ações do plano municipal de políticas para as mulheres, e saber se ele realmente está dando conta diante dos dados obtidos. Agora, nós vamos fazer esse acompanhamento e voltaremos a debater as  ações que foram propostas”, disse.

Representando o movimento Nacional de Cidadãs Posithivas, Jane Damascena, relatou sobre como é conviver com o vírus HIV. Demostrando as barreiras e dificuldades do grupo, Jane explicou que a luta das mulheres também gira em torno do resgate de direitos, para assim se levar uma vida saudável e com melhorias na qualidade de vida. “Mesmo com os avanços da medicina o dia a dia da mulher com HIV ainda é cheio de barreiras. A assistência não é plena, o SUS é desumano, escasso de exames, medicamento e consultas”, pontuou.

Por outro lado, a representante do Núcleo de Saúde das Mulheres do município de Natal, Ana Cláudia Mendes, aponta que o grupo está se articulando em diversas frentes, como por exemplo, o combate à sífilis, o acompanhamento de gestantes e do seu pré-natal. “Além disso, a dificuldade de acesso às políticas públicas é sim o reflexo da violência de gênero e institucional imposta pela sociedade contemporânea, marcada fortemente pelo machismo”, concluiu.

Durante a reunião, a Câmara  Municipal também homenageou a ativista Amélia Freire pela comemoração dos seus 60 anos. Amélia foi fundadora do movimento feminista de Natal, além disso, também foi a primeira mulher advinda  de movimentos populares a assumir cargos públicos, como por exemplo, quando esteve à frente da Secretaria Municipal das Mulheres. Natural de Recife, Adélia Freire recebeu título de cidadã natalense em 2003 na CMN.

Também estiveram presentes as vereadoras Nina Souza ( PDT) e Eleika Bezerra  (PSL); além de Isabella Lauar, do coletivo Nisia Floresta; Juliana Campos Sales, responsável técnica do Porgrama IST/AIDS e Hepatites Virais da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap); e Teresa Freire, coordenadora de Ações estratégicas e regionais também da Sesap.


Outubro Rosa

Durante a reunião também foi apresentada a Campanha Outubro Rosa, movimento de conscientização para a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Na ocasião, a associada fundadora do grupo Reviver, Idaisa Cavalcanti anunciou que entre os dias 21, 22 e 23 de outubro a unidade móvel do projeto estará nas dependências da Câmara Municipal para atender as mulheres servidoras da Casa que não possuem plano de saúde.

Além disso, Idaisa também discursou sobre a luta do grupo pelo fim da demanda reprimida, lembrando que o diagnóstico precoce traz 95% de chance de cura do câncer de mama. “O conhecimento do corpo é fundamental. Fazer a mamografia todo ano sim, mas nós precisamos trabalhar cada vez mais e mais na conscientização do autoexame mensal que traz um avanço significativo na busca por esse diagnóstico  precoce”, explicou.

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