O diabetes pode começar no seu prato



O dia 14 de novembro é responsável por uma grande mobilização ao redor do mundo, em alerta ao Dia Mundial do Diabetes, que  faz referência ao aniversário de Frederick Banting que juntamente com Charles Best, foi descobridor da insulina em 1923. A data é lembrada em mais de 160 países. Diabetes consiste numa doença crônica na qual o corpo não produz insulina, hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue, ou não consegue utilizá-la de maneira adequada.
O corpo humano precisa da insulina para utilizar a glicose obtida por meio dos alimentos, como fonte de energia. Quando a pessoa tem diabetes, seu organismo não fabrica o hormônio e não consegue utilizar a glicose adequadamente, aumentando seu nível no sangue. Assim acontece a hiperglicemia, que se permanecer por longos períodos, poderá causar danos aos órgãos, vasos sanguíneos e nervos. A doença tem quatro tipos, sendo os mais comuns, o Tipo 1 e o Tipo 2, mas também existem a Diabetes Gestacional e a Pré-Diabetes.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes, a incidência da doença cresceu 61,8% nos últimos dez anos, considerando o período de 2006 a 2016. A doença é uma epidemia global e o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking dos países com o maior número de casos, atrás de China, Índia e Estados Unidos. São diversos os fatores que favorecem o crescimento do diabetes nos países em desenvolvimento: obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada.
Para o médico nutrólogo André Guanabara cada vez mais fica comprovado o quanto a ingestão dos alimentos está diretamente ligada à saúde de cada pessoa. “A nutrição moderna tem atuado na prevenção de doenças e na manutenção da saúde. O consumo de alimentos industrializados é um dos principais vilões para o aumento dos  casos de pessoas com diabetes, em especial a tipo 2. Tudo pode começar no simples prato de comida, tanto a saúde como a doença”,  afirma.
Entre os vilões que contribuem para um quadro diabético, está o açúcar, que em sua versão refinada é considerado um carboidrato simples e sem nutrientes, é absorvido muito rapidamente pelo organismo, elevando os níveis de glicose e fazendo com que o pâncreas produza insulina para regular a taxa de glicose no sangue. A liberação deste hormônio além de necessário gera aumento de peso e ainda implica em outros riscos.  O grande consumo de açúcar pode gerar riscos de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, hipertrigliceridemia, potencializando o risco de infarto e acidente vascular cerebral. Também é considerado um destruidor da flora intestinal boa e, além disso, diminui a barreira protetora intestinal.  O açúcar vicia porque interage no cérebro com neuropeptídeos, substâncias que levam à dependência. O órgão central do sistema nervoso registra que este tipo de carboidrato é uma fonte rápida de energia e torna a requisitá-lo quando há falta de alimentos.
As pessoas querem viver cada vez mais e com melhor qualidade de vida, mas nem sempre estão agindo acertadamente para alcançar esse objetivo. Muitas vezes, por acomodação, outras vezes por falta de informação e de oportunidades.  

Manter uma alimentação correta, ter uma rotina de exercícios físicos e exercer a espiritualidade tem sido cada vez mais desafiador para a maioria das pessoas, justificadas pela grande quantidade de atividades e responsabilidades do dia a dia. Mas é preciso internalizar que uma vida mais longa e de qualidade só é possível quando existem escolhas, prioridades e dedicação às diversas áreas da vida, buscando tornar viável e regular os cuidados com cada uma delas, permitindo que as pessoas possam se apropriar de alternativas que se encaixem com suas rotinas familiares e de trabalho”, explica o nutrólogo.
O caminho não é rápido nem fácil, mas é muito recompensador. Tudo começa pelo estilo de vida e dedicação à  saúde física e emocional.

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