Morte por covid no Brasil cresce na faixa de 30 a 59 anos

 


A participação da faixa etária de 30 a 59 anos no total de mortes pela covid-19 aumentou nos últimos 4 meses. Em dezembro, esse grupo representou 20,3% dos óbitos, mas os dados preliminares de março indicam que, agora, esse percentual chegou a 26,9%. Em todos os meses de dezembro para cá houve aumento da proporção de pessoas de meia-idade no total de novas vítimas do coronavírus.

Os dados foram compilados pelo Poder360 a partir de informações de 253.054 mortes registradas no banco de dados Sivep-Gripe, do SUS. Só foram analisados os óbitos com informações completas sobre idade e mês da morte. Por essa razão, o número é inferior aos dados mais recentes do Ministério da Saúde.

O aumento das mortes no grupo de meia-idade é acompanhado por uma redução do percentual de idosos. As vítimas que tinham 60 anos ou mais foram 79% do total em novembro, a maior proporção até agora. Desde então a proporção cai de forma constante. Em março, 71,5% das pessoas que morreram por covid-19 estava nessa faixa etária.

Para o professor de epidemiologia Walter Ramalho, da UnB (Universidade de Brasília), essa mudança no perfil das vítimas do coronavírus pode ter relação com o avanço da campanha de vacinação nos idosos e também com questões comportamentais. “Em alguns Estados, a vacinação das pessoas acima de 75 anos já foi concluída. Além disso, a população idosa no geral é mais reclusa que os jovens, que circulam mais”, diz. “Tudo sugere que existe um comportamento social atrelado a isso”.

Considerando todo o período da pandemia, a composição etária dos mortos é a seguinte:

  • jovens de até 29 anos – 1,5%;
  • pessoas de 30 a 59 anos – 22,5%;
  • idosos de 60 ou mais anos – 76%.

Os dados compilados pelo Poder360 mostram que nos últimos meses a proporção de pessoas de meia-idade aumentou e, em março, já ultrapassa ⅓ dos mortos em 7 Estados.

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