Bolsonaro diz que gasolina poderia estar 15% mais barata

 


Um dia depois de interferir no comando da Petrobras e indicar o general Joaquim Silva e Luna para comandar a estatal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a atuação de órgãos, como a ANP (Agência Nacional do Petróleo), e disse que o preço da gasolina poderia estar 15% mais barato.

Bolsonaro manteve o discurso de que não interferiu nem interferirá na política de preços da empresa, alvo de insatisfação do presidente, mas reafirmou que, havendo necessidade, não irá se omitir.

"Se eu não faço nada, vocês dizem que eu me omiti. Se eu faço, interferi. O que tem que fazer vai ser feito", disse o presidente em vídeo transmitido pelo site bolsonarista Foco no Brasil neste sábado (20).

A intervenção foi mal recebida pelo mercado e fez a empresa pública perder bilhões em valor de mercado. Na sexta-feira (19), quando o mandatário apenas insinuava publicamente sua intervenção, o valor de mercado da companhia, listada em Bolsa, despencou de R$ 383 bilhões para R$ 354,8 bilhões.

Questionado sobre a queda nas ações da Petrobras após a demissão de Roberto Castello Branco do comando da estatal, Bolsonaro disse que a empresa é mista e o mercado é que decide.

"Eu não interferi na Petrobras. Está na capa de todos os jornais que eu interferi. O preço continua aquele fixado, com 15% [de reajuste] no diesel e 10% na gasolina. Se bem que pelo que eu tive conhecimento, não oficialmente, porque não interfiro, o reajuste seria bem menor".

O preço do combustível, continuou o presidente, "poderia ser no mínimo 15% mais barato sem interferência do Executivo. É atacando as fraudes. Há uma indústria bilionária clandestina nos combustíveis no Brasil".

A Petrobras informou, na quinta-feira (18), dois novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, que subiram 10,2% e 15,1%, respectivamente, a partir de sexta-feira (19). Foi o quarto reajuste da gasolina e o terceiro do diesel em 2021.​

Mesmo reafirmando que não trabalha com interferências políticas na empresa, Bolsonaro disse que a alta não tem justificativa. "Vou interferir? Não vou, mas não se justifica".

Folha de S. Paulo

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