Setembro Cidadão: live da Assembleia Legislativa debate sobre educação em tempos de pandemia


A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte promoveu na manhã desta segunda-feira (14), através da Tv Assembleia, um debate em formato de live, que abordou o tema: Educação em tempos de pandemia. O encontro virtual, mediado pelo jornalista Gerson de Castro, trouxe como convidados a professora e educadora Betânia Ramalho, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ex-secretária Estadual de Educação e o jornalista Aluísio Lacerda, chefe da Divisão do Memorial da Resistência da Assembleia Legislativa que também faz parte do Projeto Setembro Cidadão Entrevista.

A live é o resultado do apoio da assembleia Legislativa e da TV Assembleia ao Projeto Setembro Cidadão, objeto de Lei Complementar estadual nº 494/2013 dentro do Programa Brasileiro de Educação Cidadã, idealizado por Jarbas Bezerra e Lígia Limeira.

“A iniciativa do Legislativo Potiguar em apoiar esse projeto tem contribuído muito para a efetiva discussão e o aprimoramento da cidadania no nosso Estado. Eu acredito que quanto mais os cidadãos forem bem formados e se sentirem engajados, maior é a possibilidade de termos uma efetiva cidadania. Por isso, nós da TV Assembleia nos sentimos muito honrados por sermos o canal de transmissão e parceiros de produção desses eventos. Mesmo que, devido à pandemia, não possamos estar no mesmo lugar, a tecnologia nos possibilita estarmos juntos em prol da cidadania do Rio Grande do Norte”, disse o gerente executivo da TV Assembleia, Gerson de Castro.

Já no início das discussões, a professora Betânia Ramalho destacou a importância do espaço para formação do cidadão mais consciente. “Muito importante que a educação, que é um campo de formação de todos os profissionais, tenha esse meio de discussão tão importante. Ainda mais se entendermos que este é o fator mais eficiente e mais importante no desenvolvimento humano”, destacou.

Focada no tema do encontro, a convidada ressaltou os efeitos da pandemia na educação e trouxe uma reflexão importante sobre o tema. “A pandemia pegou de surpresa o planeta. Já vivíamos em uma situação alarmante, quando falamos na qualidade da educação entregue a sociedade. Essa pandemia chega em um momento que a educação já era muito ruim e que agora se aguça porque estamos há seis meses, sem escolas funcionando, onde os alunos não estão frequentando o lugar onde eles eram educados, e onde para muitos, aquele era o único espaço onde havia o verdadeiro sentido de família e formação”, disse.

Betânia Ramalho destacou ainda que é preciso estar preparado para a construção de um novo cenário. “O mundo digital já está mais que consolidado na vida da maioria da população, muitas vezes em casos de pessoas que nem alfabetizadas são, mas que está sempre com um celular na mão. Então o grande desafio é agregar essas ferramentas à educação, entendendo as formas de aprendizagem e os limites de cada aluno”, frisou.

Durante a conversa, o jornalista Aluísio Lacerda indagou a professora sobre o desafio do Brasil pós-pandemia, que destacou: “É preciso aprender a fazer diferente, porque o mundo mudou e a escola continuou a mesma. A educação básica pública padece de uma consciência cívica. Não tem cabimento, não é aceitável que o Brasil tenha um pacto federativo tão danoso como esse que sustenta a educação, onde os recursos e as responsabilidades estão invertidos”, cobrou.

Ainda no debate, a professora destacou as consequências do adiamento do ano letivo. “Houve um prejuízo irrecuperável, mas tão prejudicial como a realização de uma greve. É preciso entender que estamos vivendo cenário típico de guerra. O prejuízo maior seria a vida humana”, continuou.

Sobre as soluções apontadas para os prejuízos, a professora foi enfática. “O Estado tem uma ferramenta que está senso mal utilizada que é o SigEduc, SigaA, doado pela UFRN, implantado em 2011. Eu acredito que ainda estão procurando como viabilizar. Mas não é por falta de ferramenta”, disse.

Indagada se houve falta de ousadia do Estado, ela ressaltou que “há uma cultura que precisa ser melhorada. Se você não tem o grupo de docentes que queira fazer a diferença, nada acontece. Precisamos trabalhar com implantação de metas, de resultados e com prazos. Além disso, colocar o professor da rede pública no mesmo status do professor universitário, permitindo que ele tenha condições de viver para a educação. Uma sugestão seria a criação da Carreira Nacional dos Professores, a partir da ideia de que um professor não planeja só aulas, ele planeja vidas”, finalizou.

A segunda transmissão ao vivo, denominada “Cidadania e Cultura", terá a presença de Tatiane Fernandes, diretora de produção da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte; da Diretora Legislativa da ALRN, Tatiana Mendes Cunha; da jornalista e apresentadora da TV Assembleia, Cristiane Rodrigues; e do mediador Gerson de Castro.

Por fim, a terceira live será a do “Setembro Cidadão”, que abordará mais detalhadamente o referido projeto. Participarão da transmissão a advogada Lígia Limeira, idealizadora do Setembro Cidadão; o diretor da Escola da Assembleia Legislativa, professor João Maria de Lima; a diretora de comunicação institucional do Legislativo Potiguar, Marília Rocha; e o gerente executivo da TV Assembleia, Gerson de Castro (mediador).

Setembro Cidadão
O Projeto Setembro Cidadão, idealizado pelo juiz Jarbas Bezerra e a advogada Lígia Limeira, é regulamentado pela Lei Complementar nº 494/2013, a qual, além de instituir o mês da cidadania (Setembro Cidadão), criou o 10 de Setembro como sendo o Dia Estadual da Educação Cidadã.

À época, o programa foi objeto de Proposta de Lei Complementar enviada ao Governo do Estado, tendo sido submetida e aprovada à unanimidade pela Assembleia Legislativa do RN.

Nenhum comentário