UPAs em Natal operam acima da capacidade e pacientes sofrem à espera de vaga


Com o avanço da pandemia da Covid-19, a situação da saúde pública no Rio Grande do Norte está cada vez mais crítica. O estado contabiliza, nesta quinta-feira (11), um total de 710 pacientes internados com suspeita ou confirmação da doença. A fila de espera por internação segue aumentando: já são 148 pessoas em busca de uma vaga. Por causa dessa realidade, as unidades que são a porta de entrada dos pacientes seguem superlotadas. Em Natal, as quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão recebendo o dobro de pacientes da capacidade total, a maioria com sintomas da Covid-19. 
De acordo com o mais recente boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), publicado na última quarta-feira (9), a UPA Esperança e a UPA Pajuçara são as que apresentam o pior índice de ocupação: 220%, valor que corresponde a mais que o dobro da capacidade de vagas das unidades. A ocupação na UPA Potengi também já ultrapassou a capacidade de atendimento e chegou a 160%. Na UPA Cidade Satélite, a taxa é de 90%. O Hospital Municipal de Natal e o Hospital dos Pescadores atingiu 100% de vagas ocupadas. E o Hospital de Campanha, montado para atendimento exclusivo de pacientes com o novo coronavírus, está com 60% dos leitos ocupados. 
Essa superlotação é reflexo do aumento de casos da Covid-19 no RN. Já são mais de 13 mil pessoas infectadas com a doença no estado, sendo mais de 4,9 mil somente na capital potiguar. A situação se agrava porque, além da pandemia do novo coronavírus, outras doenças permanecem acontecendo. Nos últimos dias, por exemplo, a TV Tropical acompanhou a situação de  pessoas que precisaram de atendimento de urgência e tiveram que esperar por horas para conseguir uma vaga. 
O primeiro caso retratado foi de uma idosa de 81 anos que sofreu um infarto e estava há mais de 12 horas aguardando uma vaga na UPA da Cidade da Esperança, na zona oeste de Natal. Maria Alzenir Bezerra precisava realizar, com urgência, um procedimento de cateterismo. Sem condições financeiras para recorrer a um hospital privado, dependia do serviço público de saúde . Devido à superlotação na unidade, a idosa foi colocada em uma cadeira de rodas em uma área de risco, já que no local, segundo relatado pelos acompanhantes, não ocorre distanciamento dos pacientes com Covid-19. 
A situação crítica também atingiu João Fortunato, de 96 anos. O idoso teve um princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC) na casa onde mora com a família e foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi levado para o Hospital Walfredo Gurgel, onde passou por exames, mas logo em seguida foi encaminhado para a UPA do Potengi, na zona norte de Natal. Uma hora depois, ao chegar na unidade, foi informado de que a única vaga, até então, disponível tinha sido ocupada. 
Nesse processo em busca de transferência, João Fortunato passou mais de dez horas dentro da ambulância até conseguir uma vaga na UPA de Cidade Satélite. Durante a espera, o idoso precisou trocar quatro vezes de veículo. Conforme relatou a família, foram inúmeros os problemas enfrentados nesse período: uma das unidades móveis, por exemplo, apresentou goteiras e, devido à chuva, a maca em que estava o paciente ficou encharcada de água. Em outro momento, para recolher o corpo de um paciente que faleceu vítima da Covid-19, um carro de funerária precisou estacionar ao lado de onde estava a ambulância com João Fortunato. A cena foi registrada pela reportagem da TV Tropical.

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