Mossoró se torna epicentro da pandemia do coronavírus no RN


Portal do RN fez o alerta, no dia 9 de abril passado (veja aqui), de que Mossoró poderia se tornar o epicentro da pandemia do coronavírus no Rio Grande do Norte. A evolução da proliferação da Covid-19, doença causada pelo coronavírus confirmam, infelizmente, a previsão feita.
Embora Mossoró ocupe a sétima colocação entre os 10 municípios com maiores índices de infestação (o que por si já é uma situação preocupante), há outros fatores que levam a cidade a figurar entre os municípios brasileiros com um dos piores cenários no contexto da pandemia no país.
A incidência da Covid-19 é de 38.1 por cada 100 mil habitantes em Mossoró. A taxa é bem superior a do Rio Grande do Norte, que é de 23,7 por cada 100 mil habitantes.
Um fator bastante preocupante diz respeito à taxa de mortalidade verificada na cidade. Mossoró tem 12 mortes por Covid-19 confirmadas, uma a mais que Natal. Importante ressaltar que a população de Mossoró é 71% menor do que a da capital do Estado.
Com 9 mortes até sexta-feira, 24/4, Natal tinha uma taxa de letalidade de 2,5%. No resto do Estado, o índice era de 14,1%. Nesse cenário, Mossoró, com 9 mortes, respondia por 32,14% do total de óbitos do interior. Para efeitos de comparação, a taxa de letalidade no Brasil na sexta-feira, 24/4, era de 6,9%. Hoje, é de 6,8%. No Rio Grande do Norte, o índice de letalidade é de 5,6%. Mossoró conta, até agora, com 12 óbitos por Covid-19 confirmados, enquanto a capital tem 11. Mossoró responde por 25% das mortes ocorridas no Estado em consequência da doença, ou seja, um a cada quatro óbitos se dá na capital do Oeste.
Em números absolutos, Mossoró tinha até ontem, 27/4, segundo Boletim Epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap/RN) 112 casos confirmados da Covid-19, número menor apenas que os casos registrados em Natal, com 396. Os casos suspeitos somam 271 em solo mossoroense. Nesse aspecto, importante ressaltar que de sexta-feira, 24/4 para ontem, 27/4, o total de casos suspeitos saltou de 181 para 271, nada menos que 90 novos registros, aumento de quase 50%.
Além de mostrar indicadores negativos em relação ao avanço do coronavírus, o estrangulamento da rede hospitalar também é outro fator preocupante. Na sexta-feira passada, todos os 17 leitos do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, destinados aos pacientes de Covid-19 estavam ocupados, sendo 10 deles da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ontem, 27/4, dos 10 leitos de UTI, 8 estavam ocupados. Já dos outros sete, seis tinham pacientes. Em Natal, das 38 vagas exclusivas para Covid-19 montadas pelo Estado, 16 estavam ocupadas, taxa de ocupação de 42%.
A situação de ocupação dos leitos de Mossoró se assemelha aos Estados do Amazonas, Rio de Janeiro, Pernambuco e o vizinho Ceará, em que mais de 90% dos leitos de UTI já estão ocupados.
Com o colapso na rede hospitalar da cidade a tendência é que mais gente morra. O HRTM, devemos lembrar, recebe pacientes não só de Mossoró, mas de todo o Oeste, e até do Vale do Assu (o primeiro paciente da cidade de Assu que veio a óbito estava internado no HRTM).
A esperança é que os 100 leitos do Hospital São Luiz destinados ao Covid, como Hospital de Campanha, sejam liberados antes que comece a se formar fila de espera por leitos de UTI.
A situação de Mossoró, infelizmente, tende a piorar com a flexibilização das regras de isolamento social. A cidade, que já vinha registrando aglomerações no Centro, mesmo com as lojas fechadas, viu o movimento de pessoas e veículos na área comercial aumentar ainda mais.
O quadro tende a ficar difícil pela posição titubeante da gestão municipal. A prefeita Rosalba Ciarlini decretou o fechamento do comércio em 23 de março, mas não estabeleceu fiscalização. Agora, permitiu a abertura de outros segmentos comerciais e determinou o uso de máscaras de proteção, no entanto, não definiu punição para o descumprimento.
Cidades que flexibilizaram as regras de isolamento social, principalmente permitindo a abertura do comércio, viram os casos de coronavírus disparar. Exemplo disso aconteceu em Blumenau (SC) onde os registros de contaminação pelo novo coronavírus aumentaram 30% em 24 horas após a reabertura do comércio. A situação de Mossoró, por tudo o que está posto, tende a piorar, lamentavelmente.

Cidades potiguares com maiores índices de contaminação pela Covid-19  

1. Encanto – 71.3
2. Assu – 50.3
3. Tibau – 49.1
4. Natal – 45,1
5. Lajes – 42,1
6. São Gonçalo do Amarante – 41.5
7. Mossoró – 38,1
8. Parnamirim – 36.7
9. Bento Fernandes – 36,6
10. São Rafael – 36.5

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