Manchas pretas aparecem em praias do litoral do RN; suspeita é de piche



Manchas pretas trazidas pela água apareceram em praias do litoral do Rio Grande do Norte. No final de semana, o material foi encontrado nas regiões da Via Costeira, em Natal; em Muriú, Extremoz; e também em Barra de Maxaranguape. Nesta segunda-feira, 9, as manchas chegaram a praias da região de Pipa, em Tibau do Sul, segundo maior destino turístico do Estado.
Moradores e turistas de Pipa ouvidos pela reportagem suspeitam que a substância encontrada seja piche, provavelmente despejado por alguma embarcação em alto mar, mas essa tese ainda não foi confirmada pelas autoridades.
O material visto no Rio Grande do Norte é semelhante a substâncias que foram encontradas em praias de Pernambuco e da Paraíba na semana passada. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a mancha observada nos outros estados era piche. O órgão ambiental informou que, em uma praia na região do Porto de Suape, foram localizadas também duas tartarugas mortas – que tinham a substância no casco. Os animais foram recolhidos pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, já são quatro os estados com relatos de manchas de piche que chegaram a regiões de praia. Além de Paraíba, Pernambuco e, agora, Rio Grande do Norte, a substância também foi localizada no estado de Alagoas.
“Grandes distâncias entre manchas de óleo encontradas em praias costumam indicar que o ponto de despejo está distante. Considerando que o litoral dos estados não concentra oleodutos e plataformas, órgãos ambientais consideram a hipótese de que o material seja procedente de embarcações”, disse o órgão federal, em nota enviada ao Agora RN.
As características do piche, ainda de acordo com o MMA, indicam que o material tenha sido despejado há bastante tempo.
A Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte não confirmou se a substância é realmente piche. Em nota, a Marinha relata que deslocou equipes de inspeção naval para a região dos relatos, coletou amostras da substância e as encaminhou para análise. Não há prazo para a conclusão dos estudos. A Marinha também não disse se vai abrir algum procedimento para investigar onde começou o problema.
O secretário de Meio Ambiente de Tibau do Sul, Leonardo Tinoco, disse ao Agora RN que a prefeitura local mobilizou garis e voluntários para limpar as praias. Ele afirmou que o problema foi atenuado nesta terça-feira, 10, mas que a substância continua chegando à praia trazida pelo mar. A principal suspeita dele é também que a mancha seja de piche.
“Montamos uma mobilização, com garis e os barraqueiros. O acidente é grande, e o impacto é aparentemente grave”, contou Leonardo.
O material recolhido pelos agentes da prefeitura e os barraqueiros deverão ser encaminhados para o Aterro Sanitário de Ceará-Mirim, na Grande Natal, mas, como a substância ainda não está identificada, a destinação exata pode ser outra. Enquanto isso, a Secretaria de Meio Ambiente de Tibau do Sul recomenda aos banhistas que evitem entrar em contato com o material.
Procurado pela reportagem, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ainda não se manifestou sobre o assunto.

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