UFRN: Pesquisa sobre hipertensão busca voluntários


O Departamento de Educação Física (DEF) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) busca idosos hipertensos para participar como voluntários de um estudo relacionado a atividades físicas. Podem participar homens e mulheres, na faixa etária de 60 a 80 anos, com diagnóstico de hipertensão, sem o hábito regular de exercícios, nem problemas articulares que impossibilitem os movimentos.
Realizado pelo Grupo de Pesquisa sobre Efeitos Agudos e Crônicos do Exercício (GPEACE) e o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), o Estudo HEXA, sigla para Hipertensão e Exercício Aeróbio, investiga os efeitos de dois tipos de treinamento físico sobre pressão arterial e saúde cardiovascular de idosos com hipertensão. Ao participar, o voluntário tem acesso a exames de forma gratuita: Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA); ecocardiograma e doppler das artérias carótidas; teste ergométrico com cardiologia; densitometria óssea; exames de sangue. Além disso, o paciente recebe um programa de atividades supervisionadas durante três meses.
TRÊS GRUPOS
De acordo com o coordenador do estudo e docente do Departamento de Educação Física, Eduardo Caldas, após a avaliação inicial, os voluntários são divididos em dois grupos, que recebem atividades diferentes. Um pratica exercícios aeróbios moderados contínuos – caminhadas de 20 a 30 minutos, por exemplo – e o outro é submetido a treinamentos intervalados de alta intensidade – com momentos mais intensos em alternância com períodos de repouso. Há ainda um terceiro grupo, para controle, que recebe palestras e orientações de hábitos saudáveis.
“Queremos comparar se o exercício intervalado de alta intensidade pode ser mais eficaz que tradicional, que é o moderado contínuo, para reduzir a pressão arterial, que é um efeito sabido da atividade, e melhorar a capacidade cardiorrespiratória, os níveis de glicose e triglicerídeos, parâmetros de função cardíaca, que também vamos medir, e a função vascular”, explica o professor.
Em 2018, segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), 24,7% da população brasileira que vive nas capitais declarava ter diagnóstico de hipertensão. Já entre idosos, são aproximadamente 60% de hipertensos. A doença, também conhecida como pressão alta, caracteriza-se pela elevação do nível de pressão sanguínea nas artérias e acontece quando se torna igual ou superior a 14 por 9.
RISCO DE AVC
Associada a uma série de malefícios à saúde, principalmente do sistema cardiovascular, a hipertensão, especialmente se for descontrolada, potencializa bastante as chances de Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido como derrame, infarto do miocárdio, mortalidade precoce por razões cardiovasculares. Devido ao fato de ser uma doença corriqueira, a atenção deve ser sempre redobrada.
“Estamos tratando algo extremamente comum entre os idosos e frequentemente negligenciado. É importante salientar que muitas vezes a hipertensão só vai ser sintomática quando está muito alterada. Então a pessoa sente uma dor de cabeça exagerada já com níveis significativamente altos de pressão arterial, mas passam anos e anos sem saber por não apresentar sintoma”, alerta Eduardo Caldas.
De acordo com o professor, a atividade física é um aspecto fundamental tanto na prevenção como no tratamento da hipertensão, mas ele adverte sobre a importância da constância. “exercício não é vacina, que toma uma vez e recebe proteção por uma janela de tempo. A única forma de manter o benefício é permanecer ativo. O projeto dura três meses, mas a ideia é recomendar fortemente que esses idosos continuem a prática”.
Interessados em participar do estudo devem entrar em contato com o professor Rodrigo Browne pelo telefone (84) 99989-2657 e marcar as avaliações iniciais.

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