Deus é potiguar. E atende pelo nome de Styvenson Valentim



O ex-capitão Styvenson Valentim, que se notabilizou pela maneira implacável como conduziu a operação Lei Seca, chegou ao Senado Federal no surpreendente processo eleitoral de 2018, graças ao compromisso com a bandeira da segurança pública e do combate à criminalidade e à violência.
Graças à superexposição e a uma mídia gratuita, a imagem de paladino se consolidou. E apesar de muitos vídeos que demonstravam arrogância, a imagem do novo se estabeleceu e Styvenson ganhou centenas de milhares de votos, de forma espontânea.
O que fez o ex-capitão ao chegar ao Senado?
Quando o governo do presidente Jair Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional o decreto alterando a legislação sobre posse de armas, Styvenson, que no passado recente tão bem soube se aproveitar da mídia gratuita, esqueceu de uma regrinha básica de todo ocupante de cargo público, principalmente se eletivo: “Quem não se comunica, se trumbica”.
A velha máxima de Chacrinha cai como uma luva.
Styvenson esqueceu de comunicar ao seu público e principalmente aos seus eleitores as razões de votar contra o decreto governamental mudando as regras de concessão de posse e porte de armas.
Decepcionou seus eleitores e diante da imensa repercussão negativa, agiu com arrogância e prepotência.
E para completar o desastre, gravou uma live na quarta-feira passada em plena sessão plenária do Senado que discutiu a questão do abuso de autoridade.
Em um vídeo em que aparece falando de cima pra baixo – até quem não é do meio de comunicação sabe que isso cheira a arrogância – disse que não representa os que querem infringir a lei, que não pediu voto para ser senador, que não quer voto dos intransigentes e deu o assunto por encerrado.
Anteriormente, havia falado em drogas e em intolerância nas redes sociais, que, ironicamente, ajudaram o capitão a se eleger senador da República,
Em vez de fazer o “mea culpa” e, de forma didática, explicar aos seus eleitores que é favor da legalização das armas mas com critérios estabelecidos em projeto de lei e não por decreto cheio de inconstitucionalidades, Styvenson preferiu pegar um atalho. E deu uma demonstração de arrogância e prepotência que só revela a incapacidade de se comunicar e aceitar críticas e questionamentos.
Em vez da humildade e do discernimento, preferiu a arrogância e prepotência.
Esqueceu que não pode se comportar como Deus. Porque este simplesmente não depende de quem não acredita nele. Nem tem mandato e só existe ele. E passa longe do comportamento do agora senador.
Mas ainda há tempo para corrigir a postura. Basta querer. E parar de agir, falar e se comportar como se a decisão do Senado depende única e exclusivamente do seu voto.
O saudoso Senador potiguar Agenor Maria, disse certa vez que o Senador era o céu. Pela forma de agir, Styvenson incorporou como ninguém.

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