Filme, livro, seminário e documentário analisam relevância da obra potiguar para o cinema


O filme Boi de Prata é um marco na cultura potiguar e nacional. Roteirizado e dirigido pelo seridoense Carlos Augusto da Costa Ribeiro Júnior, foi um dos primeiros filmes produzidos pelo modelo de regionalização da produção, implantado pela Embrafilme em 1976, quando da subida do grupo de cineastas cinemanovistas à presidência da Estatal, com a escolha do cineasta Roberto Faria (1932 – 2018) para o cargo. 
Por jamais ter chegado às telas comerciais, o longa de Augusto Ribeiro ganhou status de obra cult ao longo das décadas. Além do tom nordestino em sintonia com Cinema Novo e da equipe potiguar envolvida em toda a produção, o filme marcou a carreira de vários profissionais locais e nacionais.
Foi o primeiro trabalho no qual o renomado cineasta e fotógrafo Walter Carvalho assinou como diretor de fotografia. O elenco também reúne figuras em ascensão no cinema brasileiro e nas artes cênicas potiguares. A gaúcha Luiza Maranhão (Ganga Zumba, Assalto ao Trem Pagador e Barravento), uma das primeiras atrizes negras a aparecer nas telas do cinema, está no filme como Maria dos Remédios; o saudoso ator e dramaturgo Lenício Queiroga vive Tião Poeta; e Álvaro Guimarães (Tenda dos milagres, Antônio conselheiro - O Taumaturgo dos Sertões) é Elói Santos.
Ao completar quatro décadas de sua realização, o longa-metragem potiguar será homenageado no “Seminário Boi de Prata - 40 anos pensando o Brasil a partir do sertão do RN”, realizado pelo Festival Goiamum Audiovisual, dia 10 de junho, próximo domingo no Solar Bela Vista. O seminário nasceu a partir do trabalho acadêmico da publicitária e historiadora Flávia Assaf, que durante três anos analisou as nuances da obra, seu ineditismo e importância para a cinematografia nacional em sua dissertação de mestrado. O seminário contará com falas da pesquisadora, ao lado do diretor Augusto Lula (RN) com mediação de Fabio DeSilva (RN). Flávia Assaf também lançará seu livro ‘Boi de Prata: estreia do sertão do Seridó no cinema terceiro mundista brasileiro’. Na ocasião ainda será exibido o documentário “Devorando o Boi de Prata” dirigido por Marcia Lohss, Jean Johane Raquel Dié. Às 18h30 do domingo o público poderá assistir ao longa Boi de Prata.
“Hoje, quando se comemora 40 anos do início das filmagens de o Boi de Prata, gostaríamos de analisar e debater o conteúdo da película, que como um fruto de sua época, nos revela o conjunto de ideias e sentimentos que permeavam a vida do diretor-roteirista e de uma parcela da intelectualidade brasileira em conexão com os artistas e pensadores de outras regiões do mundo, principalmente com as do chamado Terceiro Mundo”, informa Flávia Assaf.
NA PRATELEIRA DA EMBRAFILME
            Flávia Assaf explica que Ribeiro Jr viabilizou seu projeto em 1976 com a assinatura do contrato entre a Secretaria do Estado de Educação e Cultura, a Embrafilme, uma empresa produtora e ele próprio. Entre novembro de 1978 e janeiro de 1979, filmou a maior parte das cenas do filme na zona rural de Caicó. Durante os anos de 1979 e 1980, o filme foi montado.
Porém, ao contrário do que era previsto pelo contrato com a Embrafilme, o Boi de Prata nunca foi distribuído para os cinemas do país. Depois de algumas pré-estreias e participações em festivais, caiu nas sombras e no silêncio das prateleiras da estatal de cinema.
O FILME
Em uma cidade do interior do Rio Grande do Norte, o rico fazendeiro Elói Dantas (Álvaro Guimarães) decide aumentar ainda mais seu patrimônio, explorando minérios. Para isso, tenta se apropriar do pequeno sítio de Antônio Vaqueiro (José Marinho). Desesperado, Antônio corre em auxílio da curandeira cigana Maria dos Remédios (Luiza Maranhão) e do fazedor de poemas e sonhador Tião Poeta (Lenício Queiroga) para enfrentar a ganância de Elói.
CARREIRA DO DIRETOR
            De acordo com a pesquisadora, o cineasta potiguar ainda roteirizou, juntamente com o dramaturgo Racine Santos (que escreveu os diálogos) o livro de Eulício Farias de Lacerda — O dia que a coluna passou (1982). Depois, passou muitos anos tentando viabilizar a produção da filmagem de um roteiro que escrevera  a partir do clássico romance de Rachel de Queiroz, O quinze (1930), com a autorização da escritora. Em 1994, conseguiu viabilizar a produção do filme por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC53. Quando morreu, em junho de 1995, Ribeiro Jr. estava em Brasília, num intervalo que foi obrigado a fazer nas filmagens de O quinze em razão das chuvas que caíam no Ceará.  O cineasta deixou menos de 20% de imagens do filme.
GOIAMUM AUDIOVISUAL 2018
DE 6 a 10 de junho, no Solar Bela Vista - Natal RN
Realização: ONG Olhares e Casa de Produção, com recursos da SAV (Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura) e parceria com Fiern/Sesi
Assessoria de comunicação: FatoNovo Assessoria de Imprensa
Contato: Dionisio Outeda (84) 99974-3839 

Para entrevistas Coordenadora do seminário: Flávia Assaf (84 9962-3937) | Diretora do festival: Keila Sena (84 9832-1382) 


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VEJA COMO SERÁ O SEMINÁRIO BOI DE PRATA DIA 10 DE JUNHO, NO SOLAR BELA VISTA

10.06
16h30 – 18h SEMINÁRIO BOI DE PRATA – 40 ANOS PENSANDO O BRASIL A PARTIR DO SERTÃO DO RN
Local: Auditório Solar Bela Vista
Com Flávia Assaf(RN) e Augusto Lula(RN) Mediador: Fabio DeSilva (RN)
Exibição do documentário “Devorando o Boi de Prata” Direção: Marcia Lohss, Jean Johane Raquel Dié (RN)
Lançamento do Livro Boi de Prata: estreia do sertão do Seridó no cinema terceiro-mundista brasileiro - Autora Flávia Assaf (RN)
18h30 SESSÃO ESPECIAL Tela Jardim do Solar Exibição do Filme BOI DE PRATA. Diretor Augusto Ribeiro Júnior (RN)

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