Escritor potiguar lança romance em formato de fotonovela


Um romance que fala de amor, de uma relação moderna e de todo aparato tecnológico usado nos dias atuais para comunicar sentimentos; uma novela sobre um casal em luta amorosa, à procura de se encontrar, e os desencontros gerados por essa busca; uma história de caos e contradições, que permeia boa parte das relações amorosas. Assim se apresenta o romance ‘Sumidouro do Espelho – fotonovela’ (coedição Livros de Papel/Sebo Vermelho, 228 páginas), o quarto livro do escritor e jornalista Mário Ivo Cavalcanti.
Uma espécie de fotonovela dos anos 2000, que, assim como o amor, tem começo, meio e fim,‘Sumidouro do Espelho’ mostra, de forma ousada, o universo particular da rotina de um casal que vive uma paixão, e busca, desesperadamente, a felicidade, o prazer, e, por que não, o caos. Narrado pela ótica do protagonista masculino, a história se vale, também, das mensagens trocadas pelo par ao longo da efêmera relação.A obra será lançada na próxima terça-feira (7 de novembro), a partir das 18h, na Confeitaria Atheneu, em Petrópolis.
Cheio de referências literárias, o romance conta, através de textos, fotos, mensagens, ligações, viagens, e até mesmo músicas, o relacionamento entre um personagem-narrador e uma escritora, a caótica Jane A., durante três ‘longos’ meses.
Ao longo de 83 capítulos (56 deles no formato ‘tradicional’, mais 27 através de relatos de conversas via Skype), que não seguem nenhuma estrutura rígida (alguns capítulos são compostos somente por fotos), o livro revela detalhes da intimidade do casal desde o primeiro contato até o fim ‘do que nunca aconteceu’, desnudando, para o leitor, quão inconstante, e ao mesmo tempo previsível, pode ser o amor e suas fases.“Um amor não se limpa; um resto de amor não se higieniza. A gente escreve. Só depois a gente limpa”, resume o romance.
A publicação tem prefácio do escritor e tradutor Reinaldo Moraes, autor dos cults‘Tanto faz’ (1981) e ‘Pornopopéia’ (2009), que diz, sobre o enredo de ‘Sumidouro do Espelho’, se tratar de uma “história de amor bandido, de zoeira lírica, da mais fina sacanagem a céu aberto”, resumindo os mais íntimos momentos dos dois personagens, inclusive na hora do sexo. As fotos e as músicas amparam a história, e o projeto gráfico, inusitado e diferenciado, é da autoria de Dimetrius Ferreira.
Se tivesse de ser enquadrado em algum estilo literário, ‘Sumidouro do Espelho’ poderia se inserir no gênero autoficção, enquanto relato autobiográfico combinado à ficção, mas deixando sempre muitas interrogações na cabeça dos leitores – se a história se trata de algo inventado ou se realmente foi uma aventura vivida pelo autor. Mário Ivo Cavalcanti, aliás, também não faz questão de esclarecer se a brincadeira literária tem inspirações na vida privada. “A partir do momento que se põe no papel, tudo vira ficção, e, no final das contas, este é mais um livro comum, com começo, meio e fim, como toda história de amor. Ainda que aparentemente ousado, não passa de uma história tradicional, que pode ter sido vivida por qualquer um de nós, quando entre quatro paredes”, resume.
VISÃO DO ESCRITOR
Todo o projeto do livro foi estruturado entre o fim de 2015 e o início de 2016 e escrito em apenas 30 dias. O autor até tinha outros projetos – além de editor da novíssima Livros de Papel, que está completando 1 ano, ele estava escrevendo outros dois romances, que deixou temporariamente de lado para se dedicar à Fotonovela. Segundo ele, o livro já nasceu praticamente pronto. “Eu já tinha um fim. Precisava apenas começar, literariamente, do começo, ou seja, escrever ou reescrever, porque, afinal, tudo já estava escrito, a inspiração já tinha acontecido, restava a transpiração – escrever, com prazer, botar os pingos nos is, e o ponto final. De um certo modo, foi uma catarse.”
Questionado sobre o porquê do subtítulo, Mário Ivo explica. “A ideia inicial é que podia ser enquadrado como um romance, até pela brincadeira com o lado ‘romântico’ do tema principal, mas, afinal, como não é tão grande e caudaloso como o gênero literário clássico, muito menos clássico, poderia ser uma novela. E, como as fotos faziam parte, também, da narrativa, adotei o termo ‘fotonovela’, lembrando daquelas revistas tão populares nos anos 1970, e que eu também lia, quando criança, pegando emprestado da minha irmã “.
Paralelamente à carreira de jornalista, Mário Ivo Cavalcanti já havia publicado o romance epistolar‘Cartas Náuticas’ (2008) e ‘Sexo, Estômago e Memória’ (2016). Um ano antes, o escritor lançara na Feira Plana, em São Paulo, o livro ‘Acho que Não Sou Mulher’, em parceria com a escritora paulistana Juliana Frank. Em 2016, ele também foi um dos 13 convidados para escrever um conto inspirado nas músicas do álbum ‘Cabeça de Dinossauro’ (1986), da banda Titãs, uma homenagem aos 30 anos do disco.
Se canções e referências musicais sobram no livro, não poderia ser diferente no lançamento. A dupla Gustavo Lamartine e Isaac Ribeiro vai tocar a trilha sonora da publicação, com algumas das canções citadas pelo escritor na obra, que vão do jazz de Nina Simone ao rock do Placebo, passando por Jorge Ben Jor. O evento contará ainda com a discotecagem de DJ Macacco, que vai animar a tradicional e boêmia Confeitaria Atheneu, seguindo as pegadas da soundtrack do romance.
SERVIÇO:
Lançamento do livro Sumidouro do Espelho
Data: 7 de novembro
Horário: a partir das 18h
Local: Confeitaria Atheneu – Largo do Atheneu (Petrópolis)

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