Bolsonaro e Paulo Pimenta estão na frente na disputa pelas redes sociais, diz estudo

Os deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e Paulo Pimenta (PT-RS) estão em lados opostos no fla-flu ideológico que divide os brasileiros pelo menos desde 2014. Mas têm uma característica em comum: dedicam muitas horas da rotina diária a interagir com seus seguidores nas redes sociais.
O congressista do PSC e o petista estão entre os parlamentares que mais conseguiram interagir nas redes sociais no mês de agosto. A informação está na edição de agosto de um relatório da empresa de comunicação FSB. O estudo analisou as interações virtuais de mais de 600 deputados, senadores e suplentes que exercem ou exerceram o mandato em algum momento. Foram consideradas as interações no Facebook e no Twitter.
O estudo da FSB mostra que PSC e PT estão na vanguarda dos partidos que mais conseguem cativar os eleitores nas redes: dos 10 deputados e senadores com mais interações, só uma (a deputada Jandira Feghali, do PC do B-RJ) não é petista e nem do PSC.
Dos 20 mais influentes, sete são petistas e quatro são do PSC. O PSDB aparece uma vez no "top 20", com o senador mineiro Aécio Neves (em 15º lugar). A congressista mais bem colocada do PMDB é a senadora Kátia Abreu (TO), na 41ª posição.
A lista é encabeçada por Jair Bolsonaro. Depois aparecem Paulo Pimenta (PT-RS), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Eduardo Bolsonaro aparece em nono lugar.
O levantamento da FSB considera apenas os políticos que estão no Congresso Nacional neste momento. Figuras influentes nas redes sociais, como o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não entraram na avaliação.
A influência nas redes sociais ganha importância a cada dia para políticos e partidos: mesmo que o Congresso aprove a criação do fundo eleitoral de R$ 3,6 bilhões, as campanhas em 2018 disporão de menos dinheiro do que havia em 2014. E a criação do tal fundo parece cada vez mais distante.
Veja como ficou o ranking para o mês de agosto, divulgado na última 6ª feira:
Top 10
PosiçãoParlamentarPartidoEstado
1Jair BolsonaroPSCRJ
2Paulo PimentaPTRS
3Gleisi HoffmannPTPR
4Lindbergh FariasPTRJ
5Jandira FeghaliPC do BRJ
6Marco FelicianoPSCSP
7Humberto CostaPTPE
8Marco MaiaPTRS
9Eduardo BolsonaroPSCSP
10Décio LimaPTSC

Rotina

No clã dos Bolsonaros, quem tem mais expertise com as redes sociais é o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PP), irmão de Eduardo.
"Ele me instruiu bastante no começo, a como direcionar os perfis no Twitter, no Facebook, no Instagram. Quando eu comecei, tinha uns dois mil seguidores, que eram basicamente os meus amigos. Ele também ajudou bastante o Jair", diz Eduardo Bolsonaro.
Hoje, o deputado pelo PSC paulista tem cerca de 1,4 milhão de seguidores no Facebook.
Eduardo Bolsonaro diz ter percebido que seus seguidores valorizam o contato direto com ele.
"A equipe do gabinete me ajuda às vezes para editar um vídeo mais complexo, produzir uma imagem. Mas o restante sou eu mesmo que faço", diz. "No Brasil é quase impossível separar a vida pessoal da política. Então, de alguma forma, eu busco usar isso a meu favor, nas redes", afirma.
Uma estratégia parecida está funcionando para o petista Paulo Pimenta. Uma equipe de cinco pessoas ajuda o deputado a interagir e gerar conteúdo para as redes sociais.
"Nós fomos aprendendo com o tempo. No começo achávamos que todos os vídeos tinham que ser curtos. Depois percebemos que a resposta era boa com uma live (uma transmissão ao vivo no Facebook) mais longa e diária, por exemplo", diz Pimenta, que é jornalista de formação.
O trabalho do petista nas redes começa cedo: antes das 7h da manhã ele já decidiu quais serão os principais assuntos para comentar nas redes, e instruiu a equipe que fica em Brasília e em Santa Maria (RS), sua base eleitoral.
O levantamento da FSB monitorou as redes de deputados e senadores (inclusive os que não estão mais exercendo o cargo) entre os dias 1º e 31 de agosto. Foram considerados não só o número de seguidores, mas a quantidade e o alcance das publicações e o engajamento (número de curtidas, comentários e compartilhamentos) de cada um.
O consultor Edney Souza diz que os dados do estudo são suficientes para aferir quem está tendo mais sucesso em mobilizar seguidores nas redes. "O mínimo que a gente pode afirmar é que eles estão bem estabelecidos para mobilizar ou provocar os próprios apoiadores. Se estão conseguindo ampliar ou não o capital político deles, é outra investigação", diz.
Segundo ele, uma avaliação mais ampla poderia incluir outros critérios. Seria útil saber, por exemplo, se são as interações positivas ou negativas que estão crescendo mais ao longo do tempo.

Vantagem em 2018

Para o consultor, que é também professor da pós-graduação em redes sociais da ESPM, os congressistas do topo da lista chegam bem posicionados às eleições de 2018, quando o peso das redes sociais na campanha deve crescer.
"O melhor é que é um capital pessoal de cada um deles, não dos partidos que eles fazem parte. Permite que eles manipulem o clima político a seu favor a qualquer momento, sem esperar o começo da campanha oficial", diz.
Dos partidos políticos, o PT foi o que mais engajou as redes sociais em agosto, mostra o levantamento da FSB. O partido também tinha ficado na frente no 1º semestre de 2017, segundo os mesmos critérios. Em seguida aparecem os congressistas do PSC, com uma diferença grande para o terceiro colocado, o PT do B. O PMDB, maior partido em número de congressistas, aparece em 8º lugar, e o PSDB, em 13º.
Só no mês de agosto, os deputados e senadores fizeram 68.681 publicações no Facebook (56,1%) e no Twitter (43,9%). Os usuários das redes interagiram 13,4 milhões de vezes com os conteúdos postados pelos congressistas, a maioria das vezes (93,2%) no Facebook.
bbc.com

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